Na quinta (30), cometi um ato de lesa-banana ao definir Flávio Bolsonaro como um político marca banana, por seus espasmos de filhinho do papai, choramingas e entreguista em campanha pela Presidência. Arrisquei que, se Flávio B. já é tão flácido como candidato, como seria no trono, posto que exige maturidade, firmeza e decisão? Ao mesmo tempo, deixei em aberto a possibilidade de ser isso o que a Faria Lima quer: um banana na Presidência, fácil de ser manipulado.

Leitores concordaram em massa, mas alguns saíram em defesa da banana, lamentando vê-la rebaixada a fláviobolsonaro. Admito que, ao escrever, hesitei —em outras ocasiões, ao me render à tradição de comparar notórias figuras da política a serpentes, antas ou hienas, também fui recriminado pela ofensa aos animais. Daí, a partir de agora, espero não incorrer no erro e quero crer que o uso dessas menções injustas esteja no fim. Um dia, nenhum animal será citado para definir certos humanos.

E tampouco a banana. O que devemos a ela como fonte de prazer, de sobrevivência e de energia nunca poderá ser pago. Prata, d’água ou da terra, crua, cozida ou em calda, é o que mantém muitos brasileiros de pé, um dos quais eu —não há dia em que não mande pelo menos uma para dentro. O respeito pela banana deverá eliminar também o verbo "embananar", sentir-se confuso, sem ação, e o gesto de "dar uma banana", dar com a mão no covo do braço a fim de mandar alguém simbolicamente para tal lugar. Mais respeito, portanto, com a banana.