Se você andava precisando de um novo personagem para povoar seus pesadelos, eu tenho uma sugestão: acrescente aí uma pyroCb. Trata-se da sigla inglesa de "nuvem pirocúmulo-nimbo". Embora esse tipo de monstro possa ser conjurado das profundezas do Hades por explosões nucleares ou grandes erupções vulcânicas, as últimas décadas mostraram que não é preciso nada tão radical para criá-lo –basta um incêndio suficientemente desvairado.
As pyroCbs só foram catalogadas no bestiário dos climatologistas e meteorologistas em 1998, quando foram observadas por satélite pela primeira vez, mas de lá para cá sua presença tem sido detectada na atmosfera da Terra com cada vez mais frequência –foram mais de 80 casos só em 2021, e a França ganhou o seu primeiro exemplar neste ano, com a assustadora temporada europeia de fogo descontrolado que temos tido o desprazer de acompanhar.
Embora as pyroCbs sejam, de início, "filhotes" dos megaincêndios, sua relação com as queimadas também envolve uma retroalimentação soturna. Elas têm sua gênese com os violentíssimos processos de convecção desencadeados pelas chamas, os quais produzem uma rápida subida do ar aquecido perto do solo e a descida do ar mais frio, antes no alto.












