Atriz se despede de Selminha, personagem de 'O Beijo do Asfalto', estreia como protagonista da comédia 'Muito prazer', de Jorge Furtado, e ainda encara o desafio de viver a mãe de seu namorado no cinema 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Luisa Arraes — Foto: Vinicius Rocha/Divulgação Na véspera de completar 33 anos, no próximo dia 15, Luisa Arraes, carioca com fortes origens pernambucanas — e neta de Miguel Arraes (1916-2005), o grande político nordestino — anda com a agenda a mil. Segunda-feira, dia 3, despede-se de Selminha, no clássico de Nelson Rodrigues, "O Beijo no Asfalto", papel vivido por Fernanda Montenegro na primeira montagem, em 1960. Já no dia 27 de agosto, quando estreia "Muito Prazer", comédia de Jorge Furtado, ela será Grace, que mora num motel decadente e se junta a Rubem (Daniel Ribeiro), herdeiro da casa de saliência, e a Nalva (Samantha Jones), que sabe tudo de internet. Juntos, eles investem no negócio do sexo, inclusive gravando vídeos adultos. E, finalmente, Luisa vai encarar um dos maiores desafios da carreira: dar vida a Cássia Eller (1962-2001), mãe de seu namorado, Chico Chico, em "Cássia – O Filme", previsto para estrear em 2027. Aqui, a atriz troca dois dedinhos de prosa com Fernanda Pontes, da turma da coluna. "O Beijo no Asfalto" trata do linchamento moral de uma pessoa vítima do sensacionalismo sem escrúpulos. E, 66 anos depois, não é isso que muito se vê hoje nas redes sociais? O sensacionalismo em torno dos costumes e da vida alheia, a fofoca, são antigos. Nelson Rodrigues já retratava isso por meio dos jornais e das revistas. O que mudou foi o tempo. O que antes fazia uma pessoa ser cancelada, como acontece na peça, em 24 horas, hoje pode acontecer em cinco minutos. As redes sociais aceleraram esse mecanismo e ampliaram seu alcance. A possibilidade de destruir a reputação de alguém sempre existiu, mas agora isso acontece em segundos e pode atingir muito mais pessoas. O que faz da obra de Nelson Rodrigues permanecer tão atual? Acho que a obra do Nelson toca o âmago da família brasileira. Ele conseguiu capturar a essência da vida brasileira, das hipocrisias da burguesia, do erótico presente em todas as relações e daquilo que não pode ser dito. Isso ele coloca até nos diálogos. Ele captou como poucos as hipocrisias, os desejos e as contradições da nossa sociedade. Em "Muito Prazer", desejo, intimidade e sexo se transformam em mercadoria na internet, enquanto a vida privada vira conteúdo. Como você enxerga esses temas, cada vez mais presentes nas relações contemporâneas? O filme trata disso por meio da comédia e fala de uma forma muito atual de ganhar dinheiro: filmando sexo e vendendo esse conteúdo na internet. Acho que existe também uma questão dessa geração de jovens que não encontrou uma profissão diante da transformação digital e da velocidade com que os empregos estão mudando. Como esses jovens vão ganhar dinheiro? O filme também traz essa reflexão. E, de novo, assim como na peça do Nelson, existe o voyeurismo, que é algo muito mais antigo. O que muda agora é a plataforma. Ela acelera e facilita esse comportamento, mas o impulso em si sempre existiu. Você vai interpretar Cássia Eller. O que mais lhe chama a atenção e emociona na trajetória dela? O que mais me impressiona é como ela teve coragem de viver quem ela era até o fim. Ela revolucionou a forma de viver a família, o amor e também as músicas que queria tocar. Era uma artista que estava sempre indo na contramão. Quando começou a fazer sucesso, tocava em bares pequenos, porque gostava do contato com o público. Ela era múltipla, corajosa, doce e autêntica, e é isso que me fascina, para além da voz estonteante que Deus deu a ela, claro. Como você vê essa onda de conservadorismo com pessoas dizendo que são contra o voto feminino, por exemplo? Como diria o Gilberto Gil, "o tempo vai para frente". Pode até haver movimentos que parecem andar para trás, mas a ideia é seguir em frente. Uma dica: A interpretação de Chico Chico da música "Menino Bonito", composta por Rita Lee em 1974, é imperdível.
Luisa Arraes: Cássia Eller revolucionou a forma de viver a família, o amor e também as músicas que queria tocar'
Atriz se despede de Selminha, personagem de 'O Beijo do Asfalto', estreia como protagonista da comédia 'Muito prazer', de Jorge Furtado, e ainda encara o desafio de viver a mãe de seu namorado no cinema






