Projeto da entidade prevê criar empresa para administrar direitos comerciais dos principais torneios e vender participação minoritária ao mercado 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O novo premier do Reino Unido, Andy Burnham, em frente ao Número 10 de Downing Street nesta segunda-feira — Foto: Henry Nicholls/AFP O primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, afirmou nesta sexta-feira que Gianni Infantino é "a pessoa errada para liderar" a Fifa, ampliando a pressão sobre o dirigente após a revelação de um plano para abrir os direitos comerciais das principais competições da entidade ao investimento privado. A proposta, que prevê a criação de uma empresa responsável pela exploração econômica da Copa do Mundo e de outros torneios, provocou forte reação de confederações continentais e levou à renúncia de um dos principais assessores de Infantino. — Foi uma proposta ultrajante. O simples fato de ter sido sequer considerada demonstra, na minha opinião, que [Infantino] é a pessoa errada para liderar a organização — declarou Burnham durante visita à cidade inglesa de Sheffield. No centro da polêmica está a criação da "FIFA Forward Enterprise (FFE)", uma nova estrutura que concentraria os ativos comerciais da entidade, incluindo direitos de transmissão, patrocínios, venda de ingressos e licenciamento da Copa do Mundo masculina e feminina, além do Mundial de Clubes. Pela proposta, a Fifa manteria o controle da empresa, mas venderia até 20% de participação a investidores privados. A operação avalia a FFE em US$ 20 bilhões e poderia levantar cerca de US$ 4,2 bilhões. Segundo a Fifa, os recursos obtidos permitiriam ampliar os repasses às 211 federações nacionais, elevando a distribuição prevista entre 2027 e 2030 de US$ 8 milhões para até US$ 20 milhões por associação. A iniciativa, porém, encontrou resistência imediata entre dirigentes do futebol. A UEFA aprovou por unanimidade uma ameaça de boicotar futuras competições organizadas pela Fifa, incluindo a Copa do Mundo, caso o projeto avance. A CONCACAF também rejeitou a proposta, enquanto a Confederação Asiática (AFC) manifestou preocupação. A Confederação Africana (CAF) adotou tom mais cauteloso e pediu que suas federações analisassem os detalhes antes de tomar posição. A crise ganhou novos contornos com a saída de Carlos Cordeiro, conselheiro sênior de Infantino e ex-presidente da Federação de Futebol dos Estados Unidos. Em comunicado, o ex-banqueiro afirmou que não participou da elaboração da proposta e classificou o plano como prejudicial ao esporte. — Quero deixar claro: não tive qualquer participação nesta proposta e me oponho categoricamente a ela. É um mau negócio para as associações-membro da Fifa, para o futebol e para o futuro do esporte no longo prazo — escreveu Cordeiro. Críticos argumentam que a venda de participação nos ativos comerciais da entidade comprometeria a independência da Fifa e aprofundaria a influência de investidores privados sobre a principal competição do futebol mundial. Também apontam falta de transparência na elaboração do projeto e questionam a necessidade de buscar capital externo, uma vez que a entidade acumula reservas bilionárias e registrou receitas recordes no último ciclo financeiro. Em resposta às críticas, a Fifa afirmou que o projeto ainda está em fase de consulta e negou que qualquer decisão tenha sido tomada. Em nota, a entidade disse reconhecer as preocupações manifestadas pelas confederações e reiterou que o processo será "aberto e democrático", permitindo que todas as federações votem com base nas informações completas sobre a proposta.