A circulação dos principais tipos de HPV caiu quase pela metade entre os jovens brasileiros 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Vacinação contra o HPV — Foto: Rodrigo Nunes/Ministério da Saúde Já sabemos que a vacina contra o HPV tem um forte impacto na prevenção do câncer. E agora o Brasil tem dados próprios e robustos para reforçar essa certeza. O Hospital Moinhos de Vento, em parceria com o Ministério da Saúde, publicou a pesquisa Pop-Brasil, o maior estudo sobre a efetividade da vacina contra o HPV já realizado na América Latina. O levantamento comparou amostras coletadas em 2016 e 2017, logo após a introdução da vacina no SUS, com dados de 2020 a 2023, em jovens de 16 a 25 anos de 26 capitais e do Distrito Federal. O resultado é sensacional: a circulação dos principais tipos de HPV caiu quase pela metade entre os jovens brasileiros. A prevalência dos tipos cobertos pela vacina passou de 14,98% para 7,95%. Entre as mulheres vacinadas, a queda foi ainda mais expressiva: os tipos de HPV cobertos pelo imunizante caíram de 15,6% para 3,1%. Isso representa redução de cerca de 81% na presença desses vírus, justamente os mais associados a lesões precursoras do câncer do colo do útero. Entre os homens vacinados, a queda também foi forte: de 13,8% para 4,6%. Esse dado é fundamental, porque ainda há quem pense que vacina contra HPV é “vacina de menina”. O HPV também está ligado a câncer de pênis, ânus e orofaringe, além de verrugas genitais. Vacinar meninos protege os próprios meninos, protege suas futuras parcerias e ajuda a reduzir a circulação do vírus na população. Um ponto merece atenção: entre homens não vacinados, a queda não foi significativa. Ou seja, não basta esperar que a proteção coletiva resolva tudo. Ela ajuda quando a cobertura é alta, mas a proteção individual depende da vacinação. A pesquisa avaliou milhares de jovens. Na primeira fase, foram analisados 6.388 participantes não vacinados. Na segunda, mais de 10 mil jovens, vacinados e não vacinados, em unidades de saúde de todo o país. Trata-se de um estudo grande e muito importante. E a mensagem para as famílias é simples: a vacina funciona. Ela é efetiva na vida real, em jovens brasileiros, no SUS, nas nossas cidades. E é importante lembrar: a vacina contra o HPV deve ser dada antes do início da vida sexual, porque a vacina funciona melhor quando aplicada antes do contato com o vírus. Vacinar aos 9, 10, 11, 12 anos obviamente não estimula a “antecipação a vida sexual”, como dizem alguns. Ela simplesmente protege melhor. Afinal, o HPV é uma infecção extremamente comum. A maioria das pessoas sexualmente ativas terá contato com o vírus em algum momento da vida. Em muitos casos, o organismo elimina a infecção. Mas alguns tipos podem persistir e, anos depois, causar câncer. A vacina evita essa evolução perigosa. A vacina está disponível gratuitamente no SUS. E seguindo recomendação da OMS de 2022, o país adotou o esquema de dose única, o que facilita muito a proteção: são menos barreiras e mais gente vacinada. Há evidências robustas de que uma dose oferece proteção comparável a duas doses. A cobertura ainda precisa melhorar, especialmente entre meninos. Muitas famílias deixam passar a janela ideal de proteção porque têm medo, receberam informação falsa ou porque acham que podem “deixar para depois”. Mas depois pode ser tarde. A oportunidade não deveria ser perdida. A desinformação antivacina costuma agir assim: cria dúvida onde há evidência, medo onde há proteção. No caso do HPV, isso custa exames, biópsias, cirurgias, sofrimento, e o pior: casos de câncer que poderiam ser evitados. O SUS aplica a vacina quadrivalente, contra HPV 6, 11, 16 e 18. No setor privado está disponível a nonavalente, que cobre esses quatro tipos e acrescenta 31, 33, 45, 52 e 58, também associados a câncer. Uma proteção adicional valiosa. A SBP recomenda o uso preferencial da vacina nonavalente, quando possível, idealmente entre 9 e 14 anos, com atualização para adolescentes mais velhos não vacinados ou incompletamente vacinados. No SUS, adolescentes e jovens de 15 a 19 anos que não foram vacinados podem receber a dose de resgate gratuitamente até 31 de dezembro de 2026.
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