Na média nacional, jovens de classe média têm 17,57% de chance de chegar ao grupo dos mais ricos 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Santa Catarina é o estado com mais chances de nascidos na classe média chegarem ao grupo dos mais ricos — Foto: Governo de Santa Catarina via Wikimedia Commons As desigualdades entre diferentes regiões influenciam as possibilidades de ascensão econômica no Brasil. Pessoas nascidas em família de classe média têm, em média, 17,57% de chance de chegar ao grupo dos 25% mais ricos quando atingirem a vida adulta, mas essa probabilidade varia de 7,99% no Amazonas a 27,15% em Santa Catarina. É o que mostra o Atlas da Mobilidade Social de 2026, plataforma pública e interativa desenvolvida pelo Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social (Imds), em parceria com o Prospera Lab. Os números indicam que as oportunidades se concentram mais no Sul, no Sudeste e em parte do Centro-Oeste, enquanto a renda dos pais tende a pesar mais sobre o futuro dos filhos no Norte e no Nordeste. No levantamento, a classe média corresponde à parcela da população cujos pais estavam na faixa intermediária da distribuição de renda, entre os percentis 26 e 75. Em valores de 2019, essas famílias tinham renda domiciliar mensal entre R$ 2.183,41 e R$ 7.266,03. Depois de Santa Catarina, as maiores probabilidades aparecem em Mato Grosso, com 22,24%; Rio Grande do Sul, com 22,22%; Paraná, com 22,11%; e Mato Grosso do Sul, com 21,82%. Distrito Federal, São Paulo e Goiás também superam 20%. Na outra ponta, os menores percentuais estão concentrados na Região Norte. Além do Amazonas, aparecem nas últimas posições Acre, com 8,32%; Amapá, com 8,35%; e Pará, com 9,40%. Rondônia e Roraima também ficam abaixo da média nacional. Segundo Fernando Veloso, diretor de pesquisa do IMDS, as maiores chances de mobilidade de alguns estados do Centro-Oeste, Sudeste e Sul estão associadas a maior dinamismo econômico e melhores indicadores de educação, saúde e mercado de trabalho. — Uma provisão adequada de serviços públicos é importante para reduzir as desigualdades de origem que fazem com que a probabilidade de ascensão social dos filhos dos mais pobres dependa do local de nascimento — aponta o pesquisador. O cenário muda um pouco quando considerado o acesso ao grupo dos 10% mais ricos. Nesse recorte, o Distrito Federal lidera, seguido por Goiás, Minas Gerais, Santa Catarina e Piauí. Mesmo nos estados mais bem colocados, porém, a chance de chegar ao topo da distribuição não passa de 5,26%. No Amazonas, ela é de apenas 1,89%, o menor percentual do país. Pará, Acre, Amapá e Rondônia também aparecem entre os últimos colocados. Vantagem se mantém no topo Os dados mostram ainda que entre as classes mais altas a posição dos pais também tem forte influência sobre a renda alcançada pelos filhos. Aqueles que já nasceram em famílias pertencentes a essas faixas apresentam maior probabilidade de permanecer nela. Entre os filhos dos 25% mais ricos, 56,54% continuam no mesmo estrato na vida adulta. Além disso, 30,88% chegam ao grupo dos 10% com maior renda do país. Isso indica que, assim como as desigualdades, as vantagens econômicas também tendem a ser transmitidas entre gerações. O Atlas combina registros da Receita Federal, da Rais, do Cadastro Único e do Bolsa Família com pesquisas domiciliares do IBGE para estimar a renda formal e informal, além de indicadores de educação e fecundidade. As bases abrangem diferentes períodos entre 1985 e 2019. A análise acompanha cerca de 7 milhões de brasileiros nascidos entre 1983 e 1990. Os pesquisadores relacionaram os indivíduos aos seus pais, mediram a renda familiar durante sua infância e adolescência, entre 1990 e 2010, e compararam esses dados com a renda e outros resultados alcançados pelos filhos entre os 25 e os 29 anos.
Faz parte da classe média? Veja suas chances de chegar ao grupo dos mais ricos em cada estado. Spoiler: não é fácil
Na média nacional, jovens de classe média têm 17,57% de chance de chegar ao grupo dos mais ricos






