Banco foi criado em meio à Segunda Guerra Mundial e seu fundador ficou 38 anos à frente da instituição Ao anunciar, na noite de quarta-feira (29), um aumento de capital de R$ 10 bilhões, o Bradesco disse que suas “acionistas controladoras” têm o legítimo interesse de continuar investindo no banco. Essas acionistas são as holdings Cidade de Deus, NCF e Fundação Bradesco, que farão um aporte de até R$ 8 bilhões. Mas quem são essas as famílias por trás dessas controladoras? O Bradesco foi criado por bancários em meio à Segunda Guerra Mundial. Seu fundador, Amador Aguiar, ficou 38 anos à frente do banco. Quando morreu, em 1991, aos 86 anos, deixou a maior parte de suas ações para a Fundação Bradesco. Após sua morte, houve uma disputa pela herança entre a segunda esposa, Cleide de Lourdes Campaner Aguiar, e as três filhas adotivas, Lia, Lina e Maria Ângela, que acabaram vencendo. Poucas semanas antes de morrer, Aguiar registrou em testamento a vontade de repassar seus bens a Cleide, sua secretária e segunda esposa, 40 anos mais nova, com quem se casou em regime de separação de bens meses antes. Entretanto, em 2.000 a Justiça anulou o testamento por entender que ele não tinha mais lucidez para assinar o documento. Lia e Lina são gêmeas e têm 88 anos. A primeira é viúva e não teve filhos. Ela foi casada com o empresário Fábio Fasano, da família dos donos de restaurantes e hotéis. Mora em Campos do Jordão (SP), onde criou uma fundação que tem vários projetos sociais e é especialmente engajada com a decoração de Natal da cidade, além de ter criado um museu de carros antigos. Já disse que vai deixar toda a herança para sua fundação. Dois filhos de Lina — Denise e Rubens Aguiar Alvarez — integram o conselho de administração do banco. Maria Ângela faleceu em janeiro de 2025 e deixou cinco filhos (Ana Carolina, Ana Luiza, Ana Eliza, Daniel e Juliana). A participação da família Aguiar no Bradesco se dá via uma estrutura complexa. A Fundação Bradesco tem 8,65% do capital total do banco, mas também tem participações nas holdings Cidade de Deus (que tem 23,14% do banco) e NCF (5,41%). Lia Maria Aguiar, uma das herdeiras de Amador Aguiar, fundador do Bradesco — Foto: Gabriel Reis/Valor