O sinal de alerta veio lá pelas 16h30, quando o vaso preso à parede junto à janela da minha casa balançou pra lá e pra cá, como um barco viking dos parques de diversões. Moro no décimo andar e isso nunca tinha acontecido. Achei estranho, mas talvez fosse só uma rajada de vento mais forte. Em seguida veio a falta de luz.

Eu estava trabalhando em home office e minha mesa fica na sala, perto da porta de entrada. Corri para usar o roteador do celular e seguir escrevendo sem o wi-fi. Estava sentadinha à frente do computador quando ouvi gritos desesperados.

"Socorro! Socorro! Me tirem daqui!". Barulhos de socos. Fui até o hall e vi uma cena que eu, claustrofóbica que sou, sempre temi. Tinha uma pessoa presa no elevador, e ela não saberia quanto tempo ficaria lá. Pelo desespero, deveria estar com falta de ar, talvez ansiedade.

Não havia o que fazer enquanto a energia não fosse restabelecida, o que demorou cerca de uma hora aqui em Copacabana. Voltei para o computador e, sob os gritos perturbadores da vizinha desesperada e do barulho dos socos na parede do elevador, fui dar uma pesquisada para saber o que estava acontecendo. Foi quando tive uma ideia da dimensão do estrago que os ventos de cerca de 100 km/h causaram na cidade.