Enquanto operações de busca prosseguem, autoridade da província de Kumamoto também alertou para risco de insolação, com previsão indicando temperaturas próximas de 40°C no fim de semana As operações de busca e resgate continuam no shopping center Aeon Mall, danificado após um terremoto, na cidade de Kashima, província de Kumamoto, Japão , em 30 de julho de 2026 — Foto: Kyodo/via REUTERS O terremoto de magnitude 7,1 que atingiu o sul do Japão deixou ao menos 25 mortos, informou o governo da província de Kumamoto. A maioria das vítimas estava na fábrica de papel da Nippon Paper Industries, que sofreu graves danos estruturais, e no shopping da Aeon, onde ocorreu uma possível explosão de gás. Outras nove mortes registradas na província ainda estão sendo investigadas para determinar se tiveram relação com o terremoto. Uma das vítimas era um operário vietnamita recém-casado, que deixa a esposa e um filho de sete meses, segundo o site vietnamita Kenh14. Em entrevista ao veículo, Vu Thi Thuy relembrou a última conversa com o marido na noite anterior ao terremoto. "Sempre que fazíamos chamadas de vídeo, meu filho nunca queria olhar para o pai. Mas naquela noite, por algum motivo, ele ficou o tempo todo olhando para a tela, querendo ficar com o pai", contou. "Já passava das 23h quando eu disse: 'Vamos desligar para o papai dormir. Amanhã ele precisa trabalhar'. Nunca imaginei que aquela seria nossa última conversa." O tremor também derrubou casas e abriu rachaduras nas ruas da pequena cidade de Yatsushiro, além de ter elevado as preocupações com ameaças menos visíveis causadas pela falta de água e energia em meio ao intenso calor do verão. Grande parte das cerca de 58 mil residências da cidade portuária continuava sem água encanada ou eletricidade nesta quinta-feira, dois dias após o terremoto atingir a província de Kumamoto e deixar ao menos 25 mortos. Akio Matsushita, funcionário da prefeitura que ajuda a coordenar os trabalhos de emergência, disse não saber se serão necessários dias, semanas ou meses para reparar a rede de abastecimento de água, gravemente danificada. "Por causa do calor do verão, a falta de água é especialmente difícil", afirmou na sede da prefeitura. Com os banheiros do prédio público fora de funcionamento, funcionários instalaram sanitários de emergência sobre bueiros da rede de esgoto do lado de fora, sob temperaturas de cerca de 35°C e umidade sufocante. "Será um trabalho extremamente minucioso e, neste momento, não há um cronograma", acrescentou Matsushita. Um representante da Kyushu Electric Power informou que a companhia trabalha para restabelecer o fornecimento de energia até a noite de sexta-feira. Autoridades alertam para risco de insolação Enquanto as operações de busca e assistência prosseguem, uma autoridade da província de Kumamoto alertou para o risco de insolação, já que a previsão indica temperaturas próximas de 40°C no fim de semana. As Forças de Autodefesa do Japão estão instalando cerca de 300 aparelhos de ar-condicionado em centros de evacuação e outros locais estratégicos da província. Logo após o terremoto, caminhões das Forças de Autodefesa passaram a abastecer tanques de água em centros comunitários e escolas de Yatsushiro, retornando à prefeitura para reabastecer em reservatórios de emergência instalados sob o edifício. Cada morador podia retirar até cinco litros de água. Entre eles estava Masahiro Miyamoto, que ajudava a remover os escombros do portão de um templo que desabou. Ao voltar para casa após o terremoto no fim da tarde, encontrou sua residência ainda de pé, ao lado da casa do vizinho, que havia desmoronado. Sem abastecimento de água, passou a depender dos caminhões-pipa das Forças de Autodefesa. As poucas lojas ainda abertas estavam lotadas de pessoas em busca de suprimentos, enquanto longas filas de carros se formavam nos postos de combustíveis, relatou. "Seria melhor se desastres não acontecessem, mas este é o Japão. Talvez seja algo com que simplesmente precisamos conviver", disse Miyamoto. Um prédio residencial aparece danificado em Hikawa, no sul do Japão, na quinta-feira, 30 de julho de 2026, dois dias após um terremoto atingir a região. — Foto: AP/Hiro Komae Paralisação da produção atinge grandes fabricantes O Japão está localizado no chamado "Anel de Fogo" do Pacífico, região de intensa atividade sísmica e vulcânica responsável por cerca de um quinto dos grandes terremotos do mundo. Normas rigorosas de construção e frequentes exercícios de evacuação reduzem o número de vítimas, mas tremores de grande intensidade ainda podem paralisar regiões inteiras. Kumamoto e outras áreas da ilha de Kyushu tornaram-se importantes polos de produção de automóveis e semicondutores, aumentando as preocupações com os possíveis impactos econômicos do desastre. O terremoto de terça-feira levou empresas como Toyota, Honda, Nissan, Aisin e Sony a interromper parte de suas operações. A taiwanesa TSMC também evacuou funcionários e suspendeu temporariamente as atividades para avaliar possíveis danos. O secretário-chefe do gabinete japonês, Minoru Kihara, afirmou que ainda é difícil estimar os impactos econômicos. "Nossa prioridade imediata é restaurar e reparar a infraestrutura, incluindo portos e outras instalações estratégicas. Também acompanharemos de perto os efeitos sobre a atividade econômica, especialmente nas cadeias de suprimentos dos setores de semicondutores e automóveis", disse a jornalistas. Miyamoto e muitos moradores de Yatsushiro e da vizinha Kumamoto já haviam enfrentado grandes terremotos. Em abril de 2016, dois fortes tremores mataram mais de 260 pessoas e destruíram milhares de casas. Mas, segundo Matsushita, o terremoto de terça-feira foi mais intenso em Yatsushiro do que qualquer outro registrado há dez anos. "Nunca tinha sentido o mundo se mover daquela maneira. Parecia que meu corpo tinha perdido o peso e sido lançado pelo ar", disse Miyamoto.
Mortes por terremoto no Japão sobem para 25; sobreviventes enfrentam falta de água e calor
Enquanto operações de busca prosseguem, autoridade da província de Kumamoto também alertou para risco de insolação, com previsão indicando temperaturas próximas de 40°C no fim de semana











