A Alliança divulgou seus resultados atrasados do quarto trimestre e do ano de 2025, após sucessivos adiamentos em meio à grave crise de liquidez que a rede de laboratórios diagnósticos vem passando. No ano passado como um todo, a companhia teve prejuízo de R$ 1,36 bilhão, ante perda de R$ 129,1 milhões no ano anterior. Em termos ajustados, o prejuízo foi de R$ 51,8 milhões, redução de 37,5% no indicador. As receitas da Alliança somaram R$ 1,15 bilhão entre janeiro e dezembro, o que representa queda de 2,01% sobre o faturamento de 2024. Com ajustes, as receitas aumentaram 2%, a R$ 1,19 bilhão, afirma a empresa. O resultado antes dos juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) no ano passado foi negativo em R$ 856,2 milhões, revertendo número positivo de R$ 216,8 milhões de 2024. Em termos ajustados, caiu 15,4%, a R$ 240,9 milhões. As contas foram aprovadas com ressalva pelo auditor Mário Vieira Lopes, decorrente de limitações na comprovação da recuperabilidade de ativos fiscais diferidos registrados pela companhia. A administração da Alliança fundamentou a realização desses créditos na expectativa de utilizar prejuízos fiscais para amortizar débitos tributários federais no âmbito de uma transação tributária. No entanto, o acordo não havia sido homologado pela Receita Federal, tampouco foram apresentadas evidências de sua aprovação ou projeções de resultados tributáveis futuros que dessem suporte suficiente aos saldos reconhecidos. Paralelamente à ressalva, o relatório traz um alerta para uma incerteza relevante quanto à capacidade de continuidade operacional da empresa, dado o prejuízo acumulado no ano e o patrimônio líquido negativo de R$ 277,5 milhões. Apesar dessas incertezas, cujas soluções dependem da execução bem-sucedida do plano de reestruturação financeira em andamento, a auditoria considerou aceitáveis os critérios e premissas adotados nos demais principais assuntos de auditoria. Ao fim de 2025, a dívida líquida da Alliança era de R$ 381,4 milhões, queda de 46,2% na comparação anual. A companhia tinha liquidez corrente de R$ 300 mil, ante R$ milhão ao fim de 2024. A dona de clínicas diagnósticas como CDB, Cedimagem, Axial e Delfin entrou, em março, com uma medida cautelar buscando a proteção contra a execução de dívidas, considerado um passo que precede um pedido de recuperação judicial ou extrajudicial. Desde então, a companhia negocia um acordo diretamente com os credores para uma recuperação extrajudicial, segundo fontes próximas à operação ouvidas pelo Pipeline, o site de negócios do Valor, em maio. No início de março, a gestora Geribá comprou o controle da Alliança. As ações pertenciam originalmente ao empresário Nelson Tanure, mas foram executadas como garantia dos credores que deram empréstimo ao empresário na Ligga Telecom. — Foto: Reprodução/Site Alliança