Em entrevista ao videocast 'Conversa vai, conversa vem', jornalista diz que é 'meio certinha mesmo' e revela que detesta perder o controle das coisas: 'Bebida tem isso. O que vem quando perco o controle? Não estou disposta a saber' 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Fátima Bernardes — Foto: Guito Moreto Fátima Bernardes contou que jamais ficou bêbada. Em entrevista à jornalista Maria Fortuna no videocast 'Conversa vai, conversa vem', no ar no Youtube e no Spotify, a apresentadora revela que detesta perder o controle das coisas e que esse aspecto de sua personalidade tem a ver com ansiedade. Leia um trecho: Consolidou imagem de credibilidade e de certinha. É verdade que nunca ficou bêbada? Nunca fiquei bêbada. Tem a ver com ansiedade. Detesto coisas das quais não tenho controle e não posso resolver. A bebida tem isso. O que vem quando perco o controle? Não estou disposta a saber. Sou meio certinha mesmo. Minhas transgressões são outras, no trabalho. Fátima Bernardes — Foto: Guito Moreto Como trata suas crises de ansiedade? Por dois anos, tomei medicação. Justo no período em que estava elaborando a vontade de sair do JN para fazer outro programa. Aquilo aumentou minha ansiedade. Faço terapia. Entendi que não vou ser zen. Falar me ajuda. A primeira vez que tive uma crise de ansiedade estava no avião. O que sentiu na hora? Era a primeira viagem sem os meninos. Na volta, tomei remédio para dormir e fez efeito rebote. William capotou e eu suava. Meu maior medo era notarem. Fiquei dois anos sem entrar no avião. Hoje é mais tranquilo. Decolagem é sofrido. Reflexões sobre saúde mental te fizeram querer sair do JN? Ao contrário. Comecei a querer sair e não tinha coragem de dizer. Achava que ia ficar tarde para experimentar outras coisas. Sempre gostei de mudar. Na Globo, mudei muito até chegar ao JN. Fiquei 14 anos e falei: “Vou me aposentar aqui.” Me deu agonia. Como dizer isso? Depois de muita análise, percebi que pensava que, se tivesse problema de saúde e não pudesse mais fazer o JN, seria mais fácil. Passei a passar mal todo dia. Cheguei a fazer jornal com enfermeiros no andar de baixo porque passava mal. Um dia, não consegui encerrar o jornal. Aí, meu clínico falou: “Com três filhos e depois de ter acordado às seis, talvez, não esteja bem para apresentar o jornal às oito da noite.” Aquilo parecia música para mim. Comecei a tomar remédio, fiquei bem e tive coragem de dizer que queria mudar. Não precisei mais de remédio, e fui fazendo outras mudanças com naturalidade É verdade que assistia várias vezes ao mesmo vídeo de uma notícia para não se emocionar? O jornalismo da Globo sempre teve preocupação em não fazer nada apelativo. Se uma reportagem já estava muito pesada, será que o choro precisava ir até aquele limite? Sempre tive cuidado. Só de olhar para aquilo de forma esquemática e objetiva ajudava. Quando um VT era muito forte, William dizia: “Melhor passar para a Fátima porque não vou conseguir ler, não". Para uma profissional que buscava não se envolver, como é observar esse jornalismo em que repórter se emociona, fala das próprias experiências? Maravilhoso. Em 1992, cobri o furacão Andrew. Nos jornais locais, vi o âncora dizendo ao repórter: “Sua vizinha ligou dizendo que está cuidando dos gatos.” Foi um choque de realidade. Mostrou que quem estava levando informação era como todos. Nos aproximamos de um jornalismo de carne e osso. Não acho errado chorar. Fiz o Fantástico na morte do Senna. Só não queria chorar mais que a família. Ouvi dizerem que notícias duras ficavam mais suaves quando eu falava. Me penalizava, mas não chegava ao ponto de desabar. Não acho errado chorar. Acho ótimo essa válvula de escape.