Plano anunciado hoje pelo governo dos EUA é parte do plano de destinar terrenos federais à instalação de enormes infraestruturas de processamento de dados e reduzir resistências locais 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Donald Trump discursa em evento na Agência de Proteção Ambiental, em Washington, na semana passada: governo está destinando grandes extensões de terras federais à instalação de enormes data centers e das usinas necessárias para abastecê-los, enquanto autoridades buscam acelerar o desenvolvimento da IA e superar a crescente oposição local a essas instalações — Foto: Kenny Holston/The New York Times O governo de Donald Trump está redirecionando grandes extensões de terras federais para abrigar enormes data centers e as usinas de energia necessárias para abastecê-los, enquanto autoridades dos Estados Unidos buscam acelerar o desenvolvimento da inteligência artificial (IA) e superar a crescente oposição de comunidades locais a essas instalações. O Departamento de Energia anunciou hoje que reformará partes de uma antiga instalação de enriquecimento de urânio da época da Guerra Fria, em Paducah, no Kentucky, para receber um novo e amplo complexo de data centers voltado à IA. O local, que está desativado, pertence ao governo federal e passa há anos por um processo de descontaminação ambiental. Data center na cidade de Ashburn: incômodo 24 horas relatado pelos moradores da região — Foto: Nathan Howard/Bloomberg O projeto, de US$ 100 bilhões, incluiria a construção de usinas a gás natural com capacidade de 2 gigawatts, conectadas à rede elétrica local, além de 2,6 gigawatts de capacidade de armazenamento em baterias. Um gigawatt de geração a gás é suficiente para abastecer aproximadamente 750 mil residências. Investimentos privados O novo data center do Kentucky ocupará partes de uma área de 3.556 acres (cerca de 1.500 hectares ou 2 mil campos de futebol) pertencente ao Departamento de Energia, onde se produziu urânio pouco enriquecido para reatores militares e armas nucleares desde a década de 1950. A instalação de enriquecimento, que utilizava um método de difusão gasosa hoje obsoleto, foi fechada em 2013. O Departamento de Energia afirmou que as novas usinas a gás do projeto produziriam mais eletricidade do que o data center necessitaria e poderiam fornecer o excedente às comunidades locais. A conclusão do empreendimento está prevista para 2031. O Departamento de Energia afirmou que o empreendimento seria financiado pela iniciativa privada, por meio de uma parceria com a NextEra Energy, uma das maiores empresas de energia do país; a gestora de investimentos Brookfield; e várias concessionárias locais. "O governo dos Estados Unidos está usando seus ativos, como as terras federais, para ampliar a geração de energia, criar empregos e garantir que os Estados Unidos vençam a corrida da IA", afirmou o secretário de Energia, Chris Wright, em comunicado. Outros projetos para reutiliza áreas nucleares É a terceira vez que o governo Trump detalha planos para transformar instalações da época da Guerra Fria em data centers. Em março, o Departamento de Energia anunciou que reutilizaria partes de uma antiga unidade de enriquecimento nuclear em Piketon, Ohio, para abrigar um enorme data center de 10 gigawatts, abastecido principalmente por gás natural e financiado em parte pelo Japão. Neste mês, a Administração Nacional de Segurança Nuclear, vinculada ao Departamento de Energia, informou que trabalharia com a empresa de engenharia Amentum para estudar a construção de um data center de 1 gigawatt no complexo de Savannah River, na Carolina do Sul. A instalação poderia ser abastecida por gás e energia nuclear. O complexo federal foi usado no passado para produzir plutônio destinado a armas nucleares. Tema estratégico na nova rivalidade geopolítica O presidente Donald Trump tem sido um grande defensor da inteligência artificial, que considera essencial para vencer a disputa tecnológica que os EUA travam contra a China. Nos últimos meses, ele também tentou enfrentar a crescente oposição, em muitas comunidades, à proliferação de data centers gigantescos e grandes consumidores de energia, que estão elevando a demanda por eletricidade. O presidente dos EUA, Donald Trump, discursa durante uma cúpula sobre IA em Washington — Foto: Chip Somodevilla/Getty Images via Bloomberg Uma pesquisa recente do Gallup mostrou que quase metade dos americanos se oporia fortemente à instalação de um novo data center em seu bairro, e muitos citaram preocupações com ruído, poluição e uso de energia e água. No primeiro trimestre deste ano, pelo menos 75 projetos de data centers, avaliados em US$ 130 bilhões, foram adiados ou interrompidos por causa da oposição local, segundo o Data Center Watch, projeto da empresa de pesquisa em IA 10a Labs. 'Comunistas radicais' Em um evento na Casa Branca na semana passada, Trump tentou responder a algumas dessas preocupações ao anunciar que quase 200 empresas, entre gigantes de tecnologia, concessionárias e desenvolvedores de data centers, haviam assinado um compromisso voluntário para impedir que os data centers de IA elevassem as contas de luz dos americanos. Especialistas afirmaram que a promessa poderá ser difícil de cumprir na prática, já que os preços da energia costumam ser definidos por órgãos reguladores locais. Trump destacou exemplos em que novos projetos de data centers ajudaram a reduzir impostos locais sobre imóveis ou tarifas de eletricidade. Também atacou os opositores dessas instalações, chamando-os de “comunistas radicais de esquerda” que “não reduziriam suas contas de luz”. Seu governo passou a incentivar o desenvolvimento de data centers em terras pertencentes ao Departamento de Energia, o que poderia facilitar o processo de aprovação. A Agência de Proteção Ambiental também adotou várias medidas para tornar mais fácil a construção dessas instalações, como o afrouxamento dos limites para a poluição causada pelas turbinas a gás frequentemente usadas para abastecê-las. Separadamente, o Departamento do Interior aprovou recentemente os planos para o primeiro data center em terras federais, perto de Boulder City, em Nevada, numa área onde anteriormente havia sido autorizada a construção de um grande parque solar. O órgão afirmou que não precisava realizar uma nova e demorada avaliação ambiental porque o data center teria impactos semelhantes aos da instalação solar originalmente planejada. A aprovação foi noticiada inicialmente pelo Heatmap, site especializado em clima. Dois grupos ambientalistas apresentaram nesta semana uma contestação judicial contra a decisão.
Trump quer transformar instalações desativadas de urânio da época da Guerra Fria em data centers de IA
Plano anunciado hoje pelo governo dos EUA é parte do plano de destinar terrenos federais à instalação de enormes infraestruturas de processamento de dados e reduzir resistências locais







