Warsh colocou em xeque a credibilidade que havia conquistado em sua primeira reunião, e agora os agentes se questionam se de fato o BC americano irá subir juros em algum momento Notas de dólar — Foto: Dimas Ardian/Bloomberg O dólar à vista encerrou o pregão desta quarta-feira em leve queda frente ao real. Ao longo de boa parte da sessão, a moeda americana apresentou valorização global, mas a dinâmica foi revertida após a decisão do Federal Reserve (Fed) de manter os juros e depois dos comentários do presidente da autarquia, Kevin Warsh, em coletiva de imprensa. A leitura entre operadores é de que Warsh colocou em xeque a credibilidade que havia conquistado em sua primeira reunião, e agora os agentes se questionam se, de fato, o BC americano irá subir juros em algum momento no curto prazo. Isso levou a reprecificações nos mercados, com enfraquecimento da moeda americana globalmente. Para traders de câmbio, esse movimento só perdeu o ímpeto no fim das negociações por causa dos novos comentários do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre ataques mais intensos contra o Irã. Terminadas as negociações desta quarta-feira, o dólar à vista fechou em queda de 0,27%, cotado a R$ 5,1080, depois de ter atingido a mínima de R$ 5,0891 e ter batido na máxima de R$ 5,1410. Já o euro comercial registrou apreciação de 0,27%, a R$ 5,8477. No exterior, perto das 17h15, o índice DXY, que mede a força do dólar contra uma cesta de seis moedas de mercados desenvolvidos, recuava 0,46%, aos 100,947 pontos. No começo das negociações de hoje, o dólar rondava a estabilidade, mas, ao longo das negociações, a moeda americana foi ganhando tração, em linha com a piora no sentimento de risco global. Os preços do petróleo também passaram a subir à medida que a preocupação com o imbróglio no Oriente Médio aumentou após comentários do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre ataques mais intensos contra o Irã. Como disseram estrategistas do banco BBVA em nota nesta quarta-feira, a renovação das tensões geopolíticas tende a manter um prêmio de risco elevado incorporado aos preços do petróleo, preservando a incerteza em torno das perspectivas para a inflação e para o apetite global por risco. Na parte da tarde, no entanto, diante dos comentários de Kevin Warsh após a decisão de política monetária do Fed, houve uma reversão na dinâmica global do dólar. Na leitura de um trader de câmbio de uma grande gestora brasileira, o chefe da autarquia não teve uma ação condizente com a credibilidade que ganhou na última reunião, então o mercado corrigiu os preços. “Estamos vendo os juros reais curtos fechando, os juros nominais longos subindo, assim como as taxas implícitas [de inflação]”, afirma o profissional. “Soou estranho quando Warsh disse que o mercado já tinha apertado as condições, por mais que ele não o tenha feito. O mercado, a meu ver, pode ver isso como um ‘eu faço aqui e você não faz aí?’”, afirma. Ainda segundo o profissional, esse movimento da parte da tarde foi uma reversão da recente dinâmica de precificação de um Fed mais “hawkish” (favorável ao aperto monetário). “O mercado está entrando em dúvida se de fato ele vai chegar a subir ou não; se de fato vai agir”, diz. Outro operador de câmbio diz que a melhora do câmbio brasileiro só foi contida por conta de novas falas de Trump sobre ataques ao Irã. “Houve uma piora por conta disso”, afirma.
Dólar à vista encerra em leve queda após decisão do Fed e nova ameaça de Trump
Warsh colocou em xeque a credibilidade que havia conquistado em sua primeira reunião, e agora os agentes se questionam se de fato o BC americano irá subir juros em algum momento






