Senador republicano John Cornyn, do Texas, manifestou preocupações com Todd Blanche em relação ao fundo de US$ 1,8 bilhão ligado a aliados do presidente Donald Trump. O presidente dos EUA, Donald Trump (à esquerda), e Todd Blanche, então advogado do presidente dos EUA, Donald Trump (à direita), falam com membros da imprensa após a leitura do veredicto no tribunal criminal de Manhattan, em Nova York, EUA, na quinta-feira, 30 de maio de 2024 — Foto: Justin Lane/EPA/Bloomberg A indicação de Todd Blanche para o cargo de secretário de Justiça dos Estados Unidos enfrentou um possível revés nesta quarta-feira, quando o senador republicano John Cornyn afirmou que ainda tem preocupações não resolvidas sobre um controverso fundo de US$ 1,8 bilhão ligado a aliados do presidente Donald Trump. As preocupações de Cornyn se concentram em dispositivos de um acordo firmado por Trump com seu próprio governo, incluindo a proposta de criação de um "fundo contra a instrumentalização política" de US$ 1,8 bilhão destinado a aliados do presidente e um acordo que poderia dar a Trump e a seus associados proteção contra auditorias fiscais indisponível aos demais contribuintes. A disputa levou Cornyn a cancelar uma reunião com Blanche antes da votação da Comissão Judiciária do Senado, marcada para quinta-feira. O senador pelo Texas afirmou que não está preparado para apoiar a indicação até que o Departamento de Justiça forneça garantias por escrito que respondam às suas preocupações. Blanche, que atuou como advogado de defesa pessoal de Trump antes do segundo mandato do presidente, já exerce interinamente a função de secretário de Justiça, mas precisa do apoio de todos os republicanos da Comissão Judiciária do Senado para que sua indicação avance. A oposição de Cornyn pode ser decisiva. "Não estou preparado para votar 'sim' na indicação de Blanche", disse Cornyn a jornalistas. Trump, por sua vez, afirmou a jornalistas que imaginava que a confirmação de Blanche seria um processo de rotina. "Talvez John Cornyn esteja chateado comigo porque eu não o apoiei", disse Trump, referindo-se ao fato de o senador ter perdido a disputa nas primárias republicanas por um novo mandato para um candidato apoiado pelo presidente. Segundo uma pessoa familiarizada com o assunto, Blanche apresentou nesta quarta-feira uma proposta por escrito a Cornyn e a outros importantes senadores republicanos que "encerraria a questão" do fundo de US$1,8 bilhão destinado a aliados de Trump. Cornyn cancelou a reunião porque não recebeu um documento que respondesse às suas preocupações. Seu porta-voz afirmou que o senador está disposto a se reunir com Blanche assim que receber esse documento. Em maio, Blanche disse aos parlamentares que não poderia se comprometer a impedir que recursos do fundo fossem destinados a pessoas que agrediram policiais, incluindo durante a invasão do Capitólio em 6 de janeiro de 2021, quando apoiadores de Trump tentaram reverter sua derrota na eleição presidencial de 2020. Posteriormente, porém, afirmou aos congressistas que o fundo não seguiria adiante. Segundo a mesma fonte, a proposta também esclareceria um acordo relacionado, assinado por Blanche, que concede a Trump e a seus associados ampla imunidade contra auditorias sobre declarações de Imposto de Renda apresentadas anteriormente. "Não vi um único documento que responda ao que solicitei", afirmou Cornyn a jornalistas. O senador americano John Cornyn (republicano do Texas) conversa com repórteres sobre sua posição a respeito de votar ou não para aprovar a nomeação de Todd Blanche, indicado pelo presidente Trump para o cargo de secretário de Justiça dos Estados Unidos, no Comitê Judiciário do Senado, em seu gabinete no Capitólio, em Washington, D.C., EUA, em 29 de julho de 2026 — Foto: REUTERS/Jonathan Ernst Ele disse que o presidente da Comissão Judiciária do Senado, Chuck Grassley, havia fixado 16h desta quarta-feira (17h de Brasília) como prazo para decidir se a reunião de quinta-feira, destinada à votação da indicação de Blanche, seria cancelada. "Há tempo de sobra para resolver isso", disse Cornyn. O prazo expirou, porém, sem que nenhuma decisão fosse anunciada. Tanto o acordo sobre imunidade contra auditorias fiscais quanto o fundo contra a "instrumentalização política" surgiram de um acordo firmado entre Trump e seu governo para encerrar o processo de US$ 10 bilhões movido pelo presidente contra a Receita Federal americana (IRS). "Entendo por que ele [Trump] quer isso, porque lhe dá imunidade contra auditorias que nenhum outro contribuinte poderia obter", disse Cornyn. O líder da maioria republicana no Senado, John Thune, afirmou nesta quarta-feira acreditar que Cornyn e a Casa Branca continuam negociando. Cornyn e outro integrante republicano da Comissão Judiciária, Thom Tillis, da Carolina do Norte, manifestaram preocupação com o papel de Blanche na criação do fundo. Blanche precisa do voto dos dois, além do apoio de todos os demais republicanos da comissão, para que sua indicação siga para votação no plenário do Senado. Cornyn disse ainda que seu gabinete enviou ao governo Trump uma lista detalhada de exigências. "Eles só precisam tomar uma decisão", afirmou. "Se fizerem isso, seguiremos em frente."
Indicado de Trump para cargo de secretário de Justiça enfrenta obstáculo no Senado
Senador republicano John Cornyn, do Texas, manifestou preocupações com Todd Blanche em relação ao fundo de US$ 1,8 bilhão ligado a aliados do presidente Donald Trump.
















