Três bombeiros gregos morreram nesta quarta-feira enquanto combatiam incêndios florestais sob ventos fortes na ilha de Creta e no continente, à medida que as chamas avançavam pelo sul da Europa após dias de incêndios devastadores na Espanha e na França. Dois bombeiros ficaram cercados pelo fogo em Creta, perto da vila de Krya Vrysi, quando trafegavam entre duas frentes de incêndio. Um terceiro morreu em outro incêndio na região do Peloponeso, informou um porta-voz do Corpo de Bombeiros à Reuters. Moradores e turistas foram retirados de Krya Vrysi e de outras vilas próximas, disseram moradores à Reuters por telefone, enquanto ventos fortes espalhavam as chamas de forma descontrolada nas proximidades de destinos turísticos. "O vento é inacreditável. Em alguns momentos, nem conseguimos ficar em pé. As chamas eram enormes, foi realmente assustador", disse a moradora Chrissa Gioukaki. O fogo avançou para o sudeste, em direção à cidade litorânea de Agia Galini, onde hotéis ocupam uma colina acima de um pequeno porto. Turistas foram retirados em ônibus e carros na tarde desta quarta-feira, afirmou Charalampos Sevvas, proprietário do hotel Galini Mare. Mais cedo, o chefe do centro europeu de resposta a emergências alertou que Grécia e Itália deverão enfrentar risco ainda maior de incêndios florestais nas próximas semanas. A Europa, o continente que mais aquece no planeta, enfrenta neste ano ondas de calor recordes. As mudanças climáticas provocadas pela atividade humana intensificam o calor e a seca, criando condições para que os incêndios se espalhem com mais rapidez. Grande incêndio é estabilizado na Espanha Nos últimos dias, os incêndios provocaram evacuações em larga escala na Espanha e na França, devastando florestas e matando animais silvestres. O ministro do Interior da Espanha, Fernando Grande-Marlaska, alertou para "três dias difíceis" pela frente, com ventos fortes e temperaturas elevadas, embora o grande incêndio entre as regiões de Ávila e Madri tenha sido estabilizado, permitindo às autoridades suspender parte das ordens de evacuação e de permanência em casa. Enquanto isso, autoridades alertaram para outro incêndio na província espanhola de Zamora, no noroeste do país. Seis cidades receberam ordem de evacuação, enquanto cerca de 1.000 pessoas foram orientadas a permanecer em casa. A agência meteorológica espanhola Aemet informou que as temperaturas devem atingir 40°C nesta quarta-feira em pelo menos seis regiões colocadas sob alerta laranja, o segundo nível mais elevado. Bombeiros temem nova alta das temperaturas Na França, onde o sudoeste foi devastado pelos incêndios, as temperaturas devem subir de cerca de 33°C registrados na terça-feira para um pico de 41°C, segundo a Meteo France. Ventos secos previstos para a tarde também podem favorecer a propagação das chamas. Os bombeiros franceses conseguiram manter sob controle durante a noite um grande incêndio a oeste de Bordeaux. Próximo ao aeroporto da cidade, que permaneceu aberto, o serviço de bondes foi retomado e hotéis voltaram a funcionar. Mesmo assim, autoridades alertaram que a crise está longe do fim. O município de Lège-Cap-Ferret informou que houve diversos novos focos de incêndio na região, embora os bombeiros tenham conseguido estabilizá-los. Em Le Temple, cerca de 30 quilômetros dali, equipes de combate a incêndios, apoiadas por aeronaves, trabalharam para conter um foco que voltou a se alastrar, incendiando árvores e vegetação. "Continuamos vigilantes diante da previsão meteorológica, com nova alta das temperaturas e ventos mais fortes durante a tarde", afirmou o comandante dos bombeiros Matthieu Jomain. Vista aérea de veículos de emergência perto de um incêndio florestal em Lège-Cap-Ferret, no departamento de Gironde, em meio ao agravamento da seca após uma onda de calor e escassez de água em grande parte da França, 28 de julho de 2026 — Foto: Benoit Vega/SDIS 33/Divulgação via REUTERS Evacuações e choque diante das casas destruídas Os danos às florestas foram extensos. O incêndio na região de Landes, a oeste de Bordeaux e destino turístico popular, devastou 42 mil hectares de vegetação, principalmente pinheiros. As autoridades retiraram cerca de 220 mil pessoas, entre moradores e turistas, à medida que o fogo ameaçava a península de Cap Ferret, na costa atlântica, acessível por apenas uma estrada. Cerca de 60 mil pessoas já puderam retornar às suas casas. Raphael Fohanno disse não acreditar no que encontrou ao voltar à casa dos pais na pequena cidade litorânea de Biscarrosse, também atingida pelos incêndios. "É um choque pensar que, uma hora antes, eu estava no meu quarto e tudo estava normal. Agora não sobrou nada", disse o jovem de 18 anos. Seus pais e a irmã foram retirados de helicóptero enquanto ele estava fora de casa. Incêndio em Castellón entra no quinto dia A partir de quinta-feira, o risco de incêndios deverá diminuir no sudoeste da França graças à previsão de tempestades, queda das temperaturas e aumento da umidade, informou a Meteo France. No sudeste do país, porém, o risco continuará elevado. A polícia informou que quatro pessoas foram presas nos últimos dias na região: uma por suspeita de furtar joias de casas evacuadas, duas por supostamente roubarem alimentos de um centro de acolhimento em Bordeaux e outra por se passar por terapeuta e oferecer sessões pagas aos evacuados. Na Espanha, embora a situação tenha melhorado nas províncias centrais de Ávila e Madri, o incêndio na província de Castellón, no leste do país, seguia fora de controle após consumir mais de 10 mil hectares, enquanto as condições meteorológicas provocavam novos focos. Cerca de 10 mil moradores evacuados ainda não puderam voltar para casa em Castellón. Em meio à destruição, um hospital veterinário que abriga dezenas de cavalos foi salvo das chamas em La Vilavella graças ao esforço de moradores. "Milagres existem. Fomos salvos!", disse o veterinário Oscar Quemades. Uma visão geral de uma área afetada por um incêndio florestal em La Vall d'Uixo, província de Castellón, Espanha, 27 de julho de 2026 — Foto: REUTERS/Eva Manez Carcaças de veados em floresta espanhola Ondas de calor cada vez mais frequentes e intensas provocam milhares de mortes em excesso e afetam crescentemente a vida cotidiana, interrompendo o transporte rodoviário e ferroviário e dificultando também a navegação fluvial. Imagens aéreas feitas pela Reuters em El Tiemblo, na província espanhola de Ávila, mostraram carcaças carbonizadas de veados espalhadas por uma floresta reduzida a cinzas, evidenciando a devastação causada pelos incêndios. Uma moradora de Madri identificada apenas como Cintia disse ter ficado horrorizada com a cena em El Tiemblo, local que costumava visitar com frequência. "Nós levávamos comida para os animais. E olha como tudo ficou hoje."