Um vídeo de poucos segundos dividiu a internet na semana passada. Um marido ganha, numa confraternização da empresa, uma cesta de produtos de beleza e, em vez de levar para casa, entrega ali mesmo para uma colega de trabalho, na frente de todo mundo. A esposa então decide compartilhar a sua frustração nas redes sociais. A cena viraliza, o bate-boca se instala nas redes, que se divide em dois times que, como sempre, não se ouvem.
Tem gente garantindo que o vídeo é forjado, feito só para render engajamento. Parece possível, mas isso pouco altera a questão de fundo, porque o que fez a cena se espalhar não foi o ineditismo da história, mas, sim, o reconhecimento. Muita gente se viu ali ou reconheceu num parceiro um padrão que raramente enxerga em si mesma.
Um lado argumenta que foi só gentileza, sem segunda intenção, e que a esposa reagiu de forma desproporcional. Vale a pena testar esse argumento com mais rigor, porque gentileza nunca é neutra, ela sempre escolhe um destinatário, e quando esse destinatário, de forma repetida, não é a pessoa com quem se divide a vida, isso deixa de ser acaso e passa a revelar prioridade.
Porque a discussão nunca foi sobre a cesta, foi sobre um tipo de decisão que tomamos por hábito, sem perceber que estamos decidindo. Costumamos tratar fidelidade como sinônimo de não trair fisicamente, como se isso bastasse para manter alguém inteiro dentro de uma relação.












