Senador desistiu de ida à posse de Keiko Fujimori, no Peru, e prioriza negociações da campanha e convenções estaduais 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Milei discursa em convenção do PL que lançou candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência — Foto: Nelson ALMEIDA / AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 28/07/2026 - 15:59 Flávio Bolsonaro é aconselhado a priorizar agenda doméstica após discurso de Milei. Após discurso polêmico de Javier Milei na convenção que formalizou Flávio Bolsonaro como candidato à presidência, aliados aconselharam o senador a focar em política doméstica, adiando compromissos internacionais. A crise diplomática com o Brasil gerada pelos ataques de Milei a Lula e Alexandre de Moraes ressaltou a necessidade de Flávio consolidar bases eleitorais internas e diminuir resistência entre eleitores moderados. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A repercussão do discurso do presidente argentino Javier Milei na convenção que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao Palácio do Planalto levou aliados a aconselhar o senador a deixar, ao menos por enquanto, a agenda internacional em segundo plano. Na visão de integrantes da coordenação da campanha, após a crise diplomática provocada pelos ataques do argentino ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), o foco deve permanecer nas articulações políticas em Brasília e na consolidação dos palanques estaduais. A orientação já começou a produzir efeitos. Apesar de ter sido convidado para acompanhar, nesta terça-feira, a posse da presidente eleita do Peru, Keiko Fujimori, Flávio decidiu permanecer em Brasília para participar das negociações sobre a escolha da candidata a vice e da reta final das convenções partidárias. Segundo integrantes da campanha ouvidos pelo GLOBO, não há, neste momento, novas viagens internacionais previstas para o presidenciável. Reservadamente, aliados afirmam que a presença de Milei na convenção cumpriu parte de seus objetivos ao demonstrar que Flávio mantém interlocução com uma das principais lideranças da direita latino-americana e reforçar sua identificação com o eleitorado bolsonarista. Ao mesmo tempo, integrantes da cúpula do PL avaliam que o episódio produziu um efeito colateral indesejado ao transformar a campanha em parte de uma crise diplomática entre Brasil e Argentina, justamente quando a estratégia é ampliar o diálogo com eleitores para além da base mais fiel do ex-presidente Jair Bolsonaro. Nos bastidores, auxiliares afirmam que o senador já consolidou sua imagem junto ao eleitorado bolsonarista e que, nesta fase da campanha, o desafio é reduzir resistências entre eleitores moderados. Nesse contexto, a leitura é que novos episódios envolvendo líderes estrangeiros podem produzir mais desgaste do que ganhos eleitorais, razão pela qual a orientação passou a ser concentrar a agenda em temas domésticos. Durante o evento no último sábado, Milei atacou Lula, chamou Alexandre de Moraes de "lixo careca" e voltou a defender Jair Bolsonaro, preso desde o ano passado. As declarações levaram o Itamaraty a convocar o embaixador da Argentina para prestar esclarecimentos e fizeram o governo brasileiro chamar de volta, para consultas, o embaixador do Brasil em Buenos Aires, em uma das maiores crises diplomáticas recentes entre os dois países. Arranjos finais da campanha A prioridade imediata é concluir a montagem da chapa presidencial antes do prazo final das convenções, em 5 de agosto. O PL ainda tenta viabilizar uma composição com a federação União Progressista ou com o Republicanos para a indicação da vice de Flávio, embora, nos bastidores, cresça a percepção de que uma chapa formada exclusivamente por filiados do partido se tornou o cenário mais provável. Além da definição da vice, a campanha concentra esforços na consolidação dos palanques estaduais. No próximo fim de semana, Flávio participará de convenções em Santa Catarina, Paraíba e Distrito Federal. A mudança de foco representa uma inflexão em relação aos últimos meses. Desde o início do ano, Flávio vinha investindo na aproximação com lideranças conservadoras como forma de reforçar sua imagem internacional. Esteve nos Estados Unidos em diversas ocasiões e chegou a se reunir com o presidente Donald Trump na Casa Branca. Em março, viajou ao Chile para acompanhar a posse de José Antonio Kast. No último sábado, recebeu Milei na convenção nacional do PL e explorou politicamente a presença do argentino como símbolo do avanço da direita no continente.