Os dois países integram o Círculo de Fogo do Pacífico e registraram tremores de magnitude acima de 7 graus na escala Richter Imagem aérea mostra uma ponte parcialmente desabada após o terremoto em Kumamoto, no Japão — Foto: Kyodo News via AP Um terremoto de magnitude 7,1 graus na escala Richter atingiu a província de Kumamoto, no Japão, nesta terça-feira (28). Essa é a segunda vez, em um mês, que um país do Círculo de Fogo do Pacífico é afetado por terremoto que ultrapassa a magnitude 7 da escala internacional, tendo em vista o duplo terremoto que abalou a Venezuela no dia 24 de junho. O Círculo de Fogo do Pacífico é uma longa cadeia de vulcões, fossas oceânicas e zonas sísmicas em forma de ferradura ao redor das bordas do Oceano Pacífico. A região, de cerca de 40 mil quilômetros, é a zona sísmica e vulcanicamente mais ativa no mundo — 90% dos terremotos acontecem por lá, de acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS, na sigla em inglês). A Venezuela fica entre as placas tectônicas do Caribe e da América do Sul. Do outro lado do Círculo, à esquerda, o Japão se localiza entre três placas: a Euroasiática, a do Pacífico e a Filipina. Mapa mostra o Círculo de Fogo do Pacífico — Foto: Nolan/Wikimedia Commons O Valor levantou dados dos dois últimos tremores que ocorreram no Japão e na Venezuela. Compare abaixo: Magnitude O terremoto do Japão foi de magnitude 7,1 na escala Richter e aconteceu por volta das 16h30 do horário local (4h30 no horário de Brasília). O epicentro ocorreu na província de Kumamoto, na ilha de Kyushu, no sul do Japão. Houve 162 terremotos menores – chamados de réplicas – em Kumamoto e na cidade vizinha Amakusa, segundo a Agência Meteorológica do Japão, até o fechamento desta reportagem. Na Venezuela, houve dois terremotos de magnitudes 7,2 e 7,5 tiveram seus epicentros na capital, Caracas. O tremor ocorreu por volta das 18h do horário local (19h no horário de Brasília) do dia 24 de junho, seguido por cerca de 30 réplicas. Já na tarde do dia 26 de junho, outro tremor de magnitude 4,6 atingiu o norte da cidade. Outros abalos foram sentidos na Colômbia e em cidades da região Norte do Brasil. Impacto humano No Japão, ainda não foi divulgado um balanço oficial com o número de mortos e feridos pelo terremoto. Veículos da mídia local, contudo, informam que dois hospitais registraram mais de 50 pessoas feridas e que, no shopping Aeon, cerca de 20 a 30 pessoas estão desaparecidas e, pelo menos, duas morreram. Na rede social X, a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, afirmou que o governo vai trabalhar "incansavelmente durante a noite" para ter uma visão geral e resgate as vítimas do terremoto. Na Venezuela, segundo a última atualização do governo local, os terremotos do mês passado deixaram 5.208 mortos, 16.740 feridos, mais de 6.460 pessoas foram resgatadas e 17.907 ficaram sem moradia. Moradores e equipes de resgate vasculham os escombros de prédios danificados pelos terremotos que atingiram La Guaira, Venezuela no dia 2 de julho de 2026 — Foto: AP/Ariana Cubillos Impacto material No Japão, ainda não foram divulgados números exatos de desaparecidos e do estrago causado pelo terremoto. Uma fábrica de papel e o shopping Aeon Kumamoto foram destruídos parcialmente. Além disso, o jornal local Asahi Shimbun afirmou que estradas ficaram danificadas, serviço ferroviário foi suspenso, mais de 48 mil casas ficaram sem energia e o aeroporto de Aso Kumamoto foi fechado. Até o fechamento desta reportagem, não houve atualização sobre o estado dos serviços. Com o terremoto, 178 locais foram fechados, como bibliotecas, centro esportivos, parques públicos e centro comunitários, segundo o órgão municipal de prevenção e desastres. Alguns deles se tornaram abrigos temporários. Além disso, a instituição informou que diversos eventos programados foram cancelados pelos próximos dias. A região de Kumamoto abriga indústrias de semicondutores no país e viu algumas delas evacuarem seus trabalhadores e pausarem suas operações devido ao abalo. Entre elas, a Taiwan Semiconductor Manufacturing (TSMC), a maior fabricante de chips do mundo, que já retomou seu funcionamento gradualmente, informa a Reuters. Em relação aos danos urbanos, o tremor na Venezuela afetou 856 prédios, dos quais 190 foram destruídos, de acordo com a última atualização do governo venezuelano. No terremoto, pontes, estradas e residências foram afetadas, o que gerou um prejuízo de US$ 19,6 bilhões (R$ 100,2 bilhões, na cotação desta terça-feira, 28). Contexto estrutural dos dois países Apesar da magnitude parecida entre os terremotos, a Venezuela sofreu mais impactos que o Japão, explica o mestre em geofísica pela Universidade de São Paulo (USP), José Alexandre. Para ele, isso é esclarecido pela diferença na infraestrutura dos dois países. "O Japão é um país muito preparado em termos de engenharia. Eles possuem normas de engenharia e construções preparadas para resistir à atividade sísmica, o que reduz significativamente os danos. É hoje o país mais preparado para terremotos, porque convive com uma atividade sísmica muito intensa e investe há décadas em construções resistentes. Esse tipo de infraestrutura não é barato e depende também do grau de desenvolvimento do país", afirmou o especialista. "A Venezuela enfrenta dificuldades socioeconômicas que tornam mais difícil aplicar técnicas modernas de engenharia e construir edificações capazes de resistir aos abalos sísmicos.” *Estagiários sob supervisão de Diogo Max