A partir da segunda metade do século 20, consolidou-se globalmente uma mudança no paradigma disciplinar da educação, com a passagem de um modelo hierárquico rígido e punitivo para outro centrado nos direitos da criança, na participação do estudante e em formas não violentas de disciplina.
Tal avanço civilizatório não implica falta de regras claras de conduta e de respeito a figuras de autoridade. O Brasil, porém, enfrenta dificuldades nessa seara.
Relatos de agressões contra professores compõem um cenário de problema disciplinar revelado por pesquisas. O caso recente da professora Michele Ramos, que registrou boletim de ocorrência após alunos colocarem uma lâmina de vidro em seu copo de água durante a aula numa escola municipal de São José dos Campos (SP), é um deles.
Segundo levantamento do Centro do Professorado Paulista de 2025, 65% dos docentes já haviam sofrido alguma agressão no ambiente escolar e 74% não se sentiam seguros em sala de aula. A violência verbal representa 71% das agressões, seguida pela psicológica e moral (58%), institucional (27%) e física (19%).
Pesquisa da OCDE de 2024 mostra que 47% dos professores brasileiros disseram que sofrer intimidação ou abuso verbal por alunos era uma fonte relevante de estresse, ante a média de 18% dos cerca de 50 países analisados.








