Já foram apresentados ao menos dois pedidos de cooperação internacional no âmbito do inquérito principal do caso Master O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a Polícia Federal (PF) a rastrear, em outros países, bens e valores ligados ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, apurou o Valor. A autorização também vale para outros investigados no esquema de fraudes financeiras e corrupção envolvendo o extinto Banco Master. Já foram apresentados ao menos dois pedidos de cooperação internacional no âmbito do inquérito principal do caso Master, que investiga as fraudes envolvendo a tentativa de aquisição da instituição pelo Banco de Brasília (BRB). O primeiro pedido, já autorizado por Mendonça, foi apresentado em maio. O segundo, ainda pendente de manifestação protocolar pela Procuradoria-Geral da República (PGR), foi apresentado em julho. A tendência é que Mendonça, relator do caso no Supremo, também dê prosseguimento a esse pedido. As duas solicitações foram feitas antes de o ministro autorizar a investigação sobre repasses de Vorcaro para o filme Dark Horse, que trata da biografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, e não envolvem ainda este episódio. O primeiro pedido envolve cooperação com a Alemanha e outros países para identificar e bloquear um iate de cerca de R$ 500 milhões encomendado por Vorcaro antes de sua prisão, além de outros bens e ativos a serem mapeados pelas autoridades estrangeiras. O segundo pedido envolve uma aeronave ligada a Vorcaro que estaria nos Estados Unidos. Neste caso, segundo apurou o Valor, há um receio entre os investigadores de que o mal-estar causado recentemente com a negativa de vistos a autoridades americanas que poderiam questionar as urnas eletrônicas em uma visita ao Brasil afete as tratativas da cooperação. Nos dois pedidos, a PF solicita autorização do Supremo para compartilhar provas e informações das investigações com outros países com o objetivo de adotar “medidas destinadas à identificação, preservação, bloqueio e sequestro de produtos, proveitos e instrumentos de crime”. Nas solicitações, a corporação cita exemplos de países com os quais pretende cooperar, mas não delimita todos os que devem ser contatados. Nos pedidos, as autoridades brasileiras enviam um resumo com detalhes do caso e dos personagens envolvidos e pedem auxílio a autoridades de outros países para mapear se há algum bem ou ativo ligado aos personagens ou empresas citados na investigação brasileira. No caso do Brasil, o órgão responsável por fazer essa interlocução com outros países é o Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional do Ministério da Justiça. Segundo apurou o Valor, os pedidos não tratam apenas de Vorcaro, mas de bens e outros ativos de personagens e empresas investigadas junto a autoridades de outros países com os quais o Brasil possui cooperação internacional e onde pode estar localizado o eventual patrimônio dos suspeitos. Em paralelo aos esforços de cooperação dos investigadores brasileiros, já há um processo nos Estados Unidos movido pelo liquidante do Master para rastrear ativos do ex-banqueiro e seus familiares no país. Procurada, a defesa de Vorcaro ainda não comentou. Vorcaro — Foto: Reprodução
Exclusivo: Mendonça autoriza PF a rastrear no exterior bens de Vorcaro e envolvidos no caso Master
Já foram apresentados ao menos dois pedidos de cooperação internacional no âmbito do inquérito principal do caso Master






