Em julho de 2026, enquanto a taxa Selic se mantém em 14,25% ao ano — patamar que o mercado projeta inalterado até dezembro —, um movimento contraintuitivo ganha força no ecossistema brasileiro de startups. A notícia vem do registro de que empresas nacionais de inteligência artificial, todas focadas em resolver gargalos específicos de setores tradicionais, foram mapeadas e apresentaram potencial para captar até US$100 milhões cada ao longo do ano.
A lista, divulgada pela Value Capital Advisors em parceria com a Forbes Brasil, inclui nomes como Blip (atendimento conversacional), Nagro (crédito rural) e Enter (automação jurídica), e sinaliza uma mudança de lógica: o capital de risco deixou de buscar “novos ChatGPTs” e pode passar a premiar startups que aplicam IA em problemas reais, mensuráveis e lucrativos.
O timing não é casual. O Observatório Sebrae Startups registrou 22.869 startups ativas no Brasil em 2025, alta de 26,7% sobre 2024, com projeção de que o país ultrapasse 25 mil empresas do tipo até dezembro de 2026. O crescimento ocorre mesmo com o ciclo de juros elevados, que encarece o capital de giro e reduz o apetite por investimentos de alto risco. Ainda assim, o ecossistema de venture capital mostra sinais de recuperação: o Brasil captou US$1,25 bilhão no primeiro semestre de 2025, superando a metade de todo o ano de 2024, quando o total foi de apenas US$1,7 bilhão — o menor em mais de uma década.








