De acordo com uma reportagem publicada pelo The New York Times neste domingo (26), Epstein, que manteve um relacionamento por cerca de oito anos com Karyna, mudou o testamento em 2019 para deixar boa parte do que tinha a ela. Na época, o valor girava em torno de US$ 600 milhões, cerca de R$ 3 bilhões. Agora, após o pagamento de indenizações às vítimas, o espólio está estimado entre US$ 120 milhões e US$ 200 milhões -- R$ 615 milhões e R$ 1 bilhão -- e tem outros beneficiários, incluindo os filhos de Mark Epstein, irmão de Jeffrey Epstein. Assim, documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos indicam que ela pode herdar até US$ 100 milhões do patrimônio dele, incluindo um anel de diamante de 33 quilates. Vítimas de Jeffrey Epstein processam governo dos EUA e a empresa de tecnologia Google Natural da Bielorrússia, Shuliak se mudou para Nova York em 2010 com um visto de estudante para aprender inglês. Trabalhava como auxiliar de dentista e tentava encontrar uma forma de concluir a formação em odontologia iniciada no país natal. Ela conheceu Epstein em março de 2011, quando tinha 21 anos, por intermédio de uma jovem que, segundo contou ao NYT, era pressionada a recrutar mulheres para o empresário. Ainda segundo o jornal, Karyna nunca se identificou como vítima de Epstein nem foi considerada pelas autoridades federais uma cúmplice no esquema de tráfico sexual. LEIA TAMBÉM Segundo a reportagem, após se conhecerem, Epstein rapidamente passou a ajudá-la financeiramente e ofereceu apoio para que ela ingressasse na Faculdade de Odontologia da Universidade Columbia. Depois que ela foi rejeitada pela instituição, ele acionou contatos na universidade e fez uma doação de cerca de US$ 210 mil (R$ 1 milhão). Os documentos também mostram que dois professores anteciparam a Shuliak temas que cairiam no exame prático de admissão. Depois que ela foi aceita, Epstein pagou os três anos restantes da graduação. Nos primeiros meses, porém, Shuliak chegou a recusar a ajuda. Em um e-mail, escreveu que considerava Epstein uma "pessoa extraordinária", mas afirmou que não poderia aceitar seu apoio "por causa de alguns princípios". Quando Epstein a criticou por acreditar em "rumores e histórias", ela respondeu: "Este mundo às vezes é muito cruel e, na maioria dos casos, temos de pagar um certo preço pelas coisas. Preciso dizer que li algumas informações sobre você". O relacionamento Segundo o New York Times, Epstein chamava Shuliak de sua "favorita", dizia que a amava e transferiu quase US$ 1 milhão (R$ 5,13 milhões) para ela ao longo dos anos. Ela também passou a ajudá-lo na administração de propriedades e funcionários. Após permanecer nos Estados Unidos além do período permitido por seu visto, Shuliak obteve o green card depois de um casamento com uma assistente de Epstein. Em 2018, tornou-se cidadã americana. Os e-mails divulgados pelo governo dos EUA mostram também que o casal discutia por causa dos relacionamentos de Epstein com outras mulheres. Em uma das mensagens, Shuliak escreveu: "Eu entendo que você precise disso, mas essas coisas não parecem naturais para mim. Elas me parecem, de certa forma, sujas". E completou: "Se não for pedir demais, aproveite isso, mas me mantenha distante." Segundo o New York Times, em nenhum dos documentos analisados ela manifesta preocupação mais ampla com a forma como Epstein tratava mulheres que mais tarde afirmariam ter sido vítimas dele. O jornal também destaca detalhes da intimidade do casal. Os dois trocavam e-mails sobre a vida sexual, discutiam o uso de pílulas anticoncepcionais e tratamentos para acne, e Shuliak chegou a comprar produtos de uma empresa de bem-estar sexual voltados para casais. As mensagens mostram ainda que ela enviava links para vídeos pornográficos a Epstein e que os dois discutiam sobre a frequência das relações sexuais. Após a morte dele, ela continuou a carreira na odontologia. Em 2025, obteve licença para exercer a profissão no estado de Nova York e passou a trabalhar em um consultório no Brooklyn.