Símbolos arquitetônicos, culturais e históricos da exploração dos seringais na amazônia para abastecer os mercados mundiais com a borracha, o Teatro Amazonas, em Manaus, e o Teatro da Paz, em Belém, são os primeiros bens materiais a receberem reconhecimento de patrimônio cultural mundial na região pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura).

Eles foram anunciados durante o 48º comitê internacional do órgão em Busan, na Coreia do Sul.

O anúncio reconhece as duas construções centenárias e colossais, erguidas e inauguradas no século 19, como conjunto de um período de "modernização urbana e inserção da região amazônica em circuitos comerciais e globais", segundo o Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional).

A partir de agora os imóveis, uns dos primeiros na América Latina e que estão preservados até hoje, passam a figurar juntos na lista da Unesco sob a designação "teatros da amazônia". Os dois teatros são anteriores ao Teatro Municipal de São Paulo.

Segundo o professor de história da amazônia da Ufam (Universidade Federal do Amazonas) Bruno Miranda Braga, apesar do estilo arquitetônico e grande parte dos materiais, obras e traços artísticos terem sido importados de diferentes locais da Europa, os dois teatros mesclam o imaginário e materiais amazônicos em suas estruturas, tornando-os únicos em todo o mundo.