Vice-presidente Geraldo Alckmin será o coordenador pelo lado brasileiro do grupo de trabalho; missão sanitária sul-coreana ao Brasil ficou combinada para agosto, disse o presidente da República O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que Brasil e Coreia do Sul decidiram criar um grupo de trabalho para identificar os principais pontos sensíveis de cada lado e tentar destravar as negociações no âmbito do acordo comercial entre o Mercosul e o país asiático, que seguem paralisadas desde 2019. O vice-presidente Geraldo Alckmin será o coordenador pelo lado brasileiro do grupo de trabalho. O governo sul-coreano deve indicar alguém seu representante em breve. Segundo Lula, também foi acertada a realização de uma missão sanitária sul-coreana ao Brasil em agosto, etapa que poderá abrir o mercado do país asiático aos frigoríficos brasileiros e contribuir para o avanço das negociações entre Mercosul-Coreia do Sul. "Após 17 anos de negociação, temos agora o compromisso concreto da missão da certificação sanitária ao Brasil no próximo mês, um passo decisivo para o acesso dos frigoríficos brasileiros ao mercado coreano", afirmou Lula ao lado do presidente da Coreia do Sul, Lee Jae-myung, durante visita de Estado do líder sul-coreano ao Brasil. O acesso da carne ao mercado sul-coreano era apontado como um dos principais entraves às negociações. Isso porque a Coreia do Sul exige um alto padrão sanitário para a importação de carnes, tema considerado sensível para Brasil, Argentina e Uruguai, onde o produto de origem animal tem peso relevante na pauta exportadora. Como mostrou o Valor em junho, produtores agropecuários sul-coreanos resistem à ampliação da concorrência de fornecedores do Mercosul, em um movimento semelhante ao observado durante as negociações do acordo entre o bloco econômico e a União Europeia. Durante o discurso, Lula destacou o crescimento do comércio bilateral, apesar do avanço do unilateralismo e do protecionismo no cenário internacional. Em 2025, a balança comercial entre Brasil e Coreia do Sul somou US$ 10,8 bilhões. Segundo o presidente, o volume ainda é "pequeno diante do tamanho da Coreia e do Brasil". "A partir da reunião de hoje, no ano que vem o saldo comercial será bem maior do que os US$ 11 bilhões", pontuou. Os dois países assinaram memorandos de entendimento de cooperação em áreas como semicondutores, inteligência artificial, minerais críticos, transição energética, saúde, fármacos, cosméticos, cultura, educação e esportes. "Há muito espaço para avançar", disse Lula, em referência aos investimentos e à cooperação bilateral. O presidente sul-coreano, Lee Jae-myung, afirmou que Seul pretende aprofundar a parceria com o Brasil. "Por meio desse acordo, vamos criar uma base estável de oferta, fortalecendo a cooperação mútua de maneira benéfica”, declarou. Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva — Foto: Ricardo Stuckert/PR