A mais recente geração de smartphone dobrável da Samsung Electronics, o Galaxy Z Fold 8, oferece um vislumbre da próxima grande tendência no design de celulares: um formato mais curto e largo, semelhante ao de um passaporte, com proporções de tela mais adequadas para assistir a vídeos. Esse mesmo conceito voltará a ganhar destaque em menos de dois meses, quando a Apple apresentar seu primeiro iPhone dobrável. Nenhuma das duas empresas, porém, foi pioneira nessa abordagem. A Alphabet, controladora do Google, adotou brevemente um design semelhante no primeiro Pixel Fold, antes de migrar para um formato mais alto e estreito. Oppo e Huawei também já lançaram dobráveis com telas mais largas na China e em outros mercados. Com a chegada do iPhone dobrável e do Galaxy Z Fold 8, vendido por US$ 1.900 (cerca de R$ 9.669) e com início das entregas previsto para 7 de agosto, os consumidores dos Estados Unidos deverão ver esse novo estilo de design se tornar muito mais comum. Estou testando o novo aparelho da Samsung há alguns dias e já tenho algumas impressões sobre esse visual renovado. Uma primeira impressão divertida Raramente sinto vontade de descrever um produto de tecnologia como "encantador", mas essa é a palavra que continua vindo à minha mente ao usar o Galaxy Z Fold 8. Com seu peso de apenas 201 gramas (0,44 libra) e seu formato incomum, o aparelho é realmente divertido de manusear. A tela externa de 5,5 polegadas também é fácil de usar com apenas uma mão, sem exigir que eu estique o polegar. Ainda costumo apoiar a parte inferior do celular no dedo mínimo, como faço com qualquer outro aparelho, mas, por ele ter apenas cerca de 4,9 polegadas de altura, é muito difícil que eu perca a firmeza na pegada. Não posso dizer o mesmo de modelos maiores, como o Galaxy S26 Ultra e o iPhone 17 Pro Max. Isso não significa que eu não tenha críticas. A posição do conjunto de câmeras traseiras do Z Fold 8 faz com que o aparelho balance de forma perceptível sempre que é colocado sobre uma mesa. Normalmente esse tipo de detalhe não me incomoda, mas, neste caso, é difícil ignorá-lo. Em outros smartphones, uma capa costuma resolver esse problema ao nivelar a parte traseira, mas eu ainda não tive acesso a um acessório desenvolvido especificamente para este dispositivo. Principalmente quando usado sem capa, o Z Fold 8 apresenta uma instabilidade perceptível ao ser apoiado sobre uma mesa — Foto: Chris Welch/Bloomberg Depois de lançar o Galaxy Z Fold 7 em um tom de azul vibrante no ano passado, a Samsung adotou uma abordagem mais conservadora na linha de 2026, optando por cores mais discretas. Independentemente da preferência de cada usuário — eu, particularmente, gosto de cores mais ousadas — o aparelho transmite uma sensação de alta qualidade de construção e é fácil de abrir. A dobradiça se abre automaticamente com um leve impulso quando o usuário passa para a tela interna em formato de tablet. Como consequência, não é possível usar o Galaxy Z Fold 8 como um pequeno "laptop", apoiado parcialmente aberto, como acontecia com seus antecessores. Este estilo de hardware parecerá significativamente diferente para muitos consumidores dos EUA que o virem pela primeira vez. — Foto: Chris Welch/Bloomberg Efeito novidade passa Se há uma desvantagem evidente desse formato mais baixo e largo, é a menor quantidade de informação exibida na tela de uma só vez. A maioria dos aplicativos se adapta à proporção 10:16 da tela externa, mas isso reduz significativamente o espaço vertical disponível. A tela é consideravelmente mais baixa do que a de um smartphone convencional, em formato de barra, o que significa que, por exemplo, você verá menos e-mails no Gmail antes de precisar começar a rolar a página. No meu iPhone 17 Pro Max, consigo visualizar 10 linhas de assunto de e-mails. No Galaxy Z Fold 8, esse número cai para apenas cinco. Além disso, as prévias das janelas podem parecer muito pequenas ao alternar entre aplicativos no seletor de multitarefa, o que representa um inconveniente para quem, como eu, tem dificuldades de visão. Usuários que priorizam produtividade talvez não apreciem ter menos informações disponíveis na tela que consultarão ao longo do dia. Isso também se aplica à tela inicial: enquanto outros smartphones da Samsung permitem organizar os aplicativos em até cinco colunas, a grade do Galaxy Z Fold 8 é limitada a quatro colunas. Uma tela menor significa ver menos e-mails de uma só vez — Foto: Chris Welch/Bloomberg As publicações do Instagram costumam ocupar praticamente toda a tela externa — e, em alguns casos, até ultrapassam seus limites, exigindo um pequeno deslizar para visualizar a imagem ou o vídeo por completo. O mesmo acontece no Slack, onde é possível ver um histórico menor de conversas ao abrir o aplicativo. Parte desse problema pode ser resolvida ajustando o tamanho do texto nas configurações do Galaxy Z Fold 8, mas muitos usuários provavelmente nunca farão esse tipo de personalização. A melhor alternativa é abrir o aparelho e utilizar sua tela interna de 7,6 polegadas. Ao fazer isso e girar o dispositivo para a orientação vertical, os vídeos do TikTok e o feed do Instagram deixam de parecer apertados e passam a ocupar uma área muito mais ampla. Usar a tela interna nessa posição ajuda bastante a compensar a altura limitada da tela externa no modo horizontal, mesmo que a experiência pareça um pouco estranha no início. Na orientação tradicional, esse formato proporciona uma experiência de leitura de excelente qualidade, mais natural e semelhante à de um livro do que a oferecida por dobráveis mais estreitos, como o Galaxy Z Fold 8 Ultra. E, ao contrário das gerações anteriores, este modelo é leve o suficiente para permitir a leitura por longos períodos, da primeira à última página, sem causar fadiga nas mãos. Minha única ressalva é que a Samsung ainda mantém uma câmera frontal na tela interna, cuja aparência considero pouco elegante. Afinal, o aparelho já conta com uma câmera para selfies na tela externa, que é justamente a mais provável de ser usada para chamadas de vídeo. Ler em um celular com formato semelhante a um passaporte parece mais natural do que em dobráveis ​​mais altos e estreitos — Foto: Chris Welch/Bloomberg Feito para fotos e vídeos Outro grande destaque da tela interna é a experiência de visualizar fotografias. Como as câmeras de smartphones capturam imagens na proporção 4:3, as fotos ocupam automaticamente toda a área do display, tornando o Galaxy Z Fold 8 um excelente aparelho para mostrar aos amigos as imagens de uma viagem recente. E, na hora de fotografar, a tela externa funciona como um visor amplo e envolvente, independentemente da forma como o telefone é segurado. Samsung lança novos celulares dobráveis (Z Fold 6 e Z Flip 6), além de relógios, fones e anel 1 de 8 Samsung lança hoje em Paris seus novos celulares dobráveis (Fold 6 e Flip 6), além de relógios e fones — Foto: Divulgação 2 de 8 Samsung lança hoje em Paris seus novos celulares dobráveis (Fold 6 e Flip 6), além de relógios e fones — Foto: Divulgação X de 8 Publicidade 8 fotos 3 de 8 Samsung lança seu primeiro anel, o Galaxy Ring 4 de 8 Samsung lança hoje em Paris o novo Z Flip 6 X de 8 Publicidade 5 de 8 Samsung lança novos fones com inteligência artificial 6 de 8 Samsung lança hoje em Paris seus novos celulares dobráveis (Fold 6 e Flip 6), além de relógios e fones — Foto: Divulgação X de 8 Publicidade 7 de 8 Rayssa Leal, do Skate, é a embaixadora do novo Z Flip 6 8 de 8 Samsung apresenta novos relógios e seu primeiro anel com IA — Foto: Divulgação X de 8 Publicidade Samsung lança novos celulares dobráveis (Z Fold 6 e Z Flip 6), além de relógios, fones e anel O Galaxy Z Fold 8 vem equipado com uma câmera principal e uma lente ultra-angular, mas não conta com uma lente teleobjetiva capaz de oferecer zoom óptico para fotos de longa distância. É uma ausência lamentável, já que o modo retrato da Samsung costuma superar os equivalentes da Apple e do Google na separação do assunto em primeiro plano e no desfoque do fundo. Quanto ao futuro iPhone dobrável, tudo indica que ele também adotará um conjunto de apenas duas câmeras. Isso abre espaço para uma atualização de hardware já no ano seguinte para os usuários que valorizam o alcance adicional proporcionado por uma lente com zoom óptico. Mesmo que você não costume preferir fotos na vertical, elas fazem mais sentido neste celular do que em dispositivos convencionais — Foto: Chris Welch/Bloomberg Até agora, assistir a vídeos no Galaxy Z Fold 8 não tem sido o grande diferencial que a Samsung faz parecer. É verdade que é possível usar o gesto de pinça para ampliar o conteúdo, tornando a imagem muito maior do que a exibida em qualquer smartphone convencional. Ainda assim, ao assistir a um filme em formato widescreen, a imagem na tela interna não é significativamente maior do que a de um iPhone 17 Pro Max ou de um Galaxy S26 Ultra. Pelo menos, as faixas pretas acima e abaixo da imagem são menores neste aparelho. Para que esse formato de smartphone realmente alcance todo o seu potencial como dispositivo de entretenimento, seria necessária uma versão maior — algo próximo ao descontinuado Galaxy Z TriFold, da própria Samsung. Um aparelho desse porte, porém, seria mais difícil de manusear e menos prático para transportar no bolso. Resta saber se, no futuro, a fabricante sul-coreana abandonará o conceito dos modelos Ultra, altos e estreitos, para oferecer apenas dois tamanhos desse novo formato de dobrável. Para mim, isso faria bastante sentido: alguns consumidores preferirão um aparelho versátil e compacto, como o Galaxy Z Fold 8, enquanto outros desejarão um dispositivo realmente capaz de fazer tudo. A tela do Z Fold 8 não é grande o suficiente para proporcionar a mesma experiência cinematográfica de um tablet de tamanho padrão — ou do Galaxy Z TriFold da Samsung, modelo que já foi descontinuado — Foto: Chris Welch/Bloomberg A empresa já tem grandes expectativas em relação ao novo formato. Yonnie Joung, presidente e CEO da Samsung Electronics North America, afirmou, durante o evento de lançamento Samsung Unpacked, realizado na semana passada, que espera que o design em estilo "passaporte" seja adotado, no futuro, por 40% dos compradores de smartphones dobráveis da marca. Ainda assim, é pouco provável que outros modelos da linha Galaxy e do iPhone sejam substituídos tão cedo — especialmente os de telas maiores. Afinal, optar por um aparelho mais curto e largo implica algumas concessões. Para quem passa boa parte do dia lidando com e-mails ou navegando pelo feed do TikTok, as telas maiores — e os preços significativamente mais baixos — de modelos como o Galaxy S26 Ultra, o iPhone 17 Pro Max e o iPhone Air continuam sendo escolhas mais sensatas. O futuro iPhone dobrável da Apple provavelmente terá muitas semelhanças com o Galaxy Z Fold 8 da Samsung — Foto: Chris Welch/Bloomberg Ainda assim, há algo nesse design que me deixa empolgado toda vez que pego o Galaxy Z Fold 8 nas mãos. Os smartphones chegaram a um ponto de maturidade em que novos lançamentos de hardware muitas vezes parecem pouco inovadores, com alguns consumidores já indiferentes a câmeras apenas um pouco melhores ou a uma enxurrada de recursos de inteligência artificial. Até mesmo as atualizações dos celulares dobráveis, em alguns momentos, pareceram excessivamente incrementais. Mas o Z Fold 8 é um aparelho que transmite a sensação de ser realmente novo, pelo menos no mercado dos Estados Unidos. Caberá aos consumidores decidir, no fim das contas, se o formato inspirado em um passaporte é realmente o elemento que estava faltando nessa categoria há tanto tempo. Mesmo depois de apenas alguns dias de uso, tenho a impressão de que ele será um sucesso entre as pessoas que se cansaram de lançamentos previsíveis de smartphones ano após ano.