'Alguns dias estou tão cansada que não consigo fazer nada. Mas não parei de viver e não parei de trabalhar', disse a cantora, que lança álbum de inéditas no mês que vem 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 A cantora Carly Simon, em 2000 — Foto: Divulgação Conhecida por canções como "You're so vain", "Nobody does it better" e "Coming around again", a cantora Carly Simon, de 83 anos, revelou ter sido diagnosticada com a doença de Parkinson. Ela explicou que inicialmente manteve a notícia em segredo, mas decidiu compartilhá-la esta segunda-feira porque muitas pessoas têm perguntado sobre seu "relativo silêncio" e afastamento da vida pública. "Levei algum tempo para entender o diagnóstico, me adaptar a ele e decidir o quanto eu queria falar sobre isso publicamente", revelou Simon em um comunicado. "O Parkinson é diferente para cada pessoa e pode ser imprevisível. Alguns dias estou tão cansada que não consigo fazer nada. Em outros, me dá um pouco mais de espaço para me movimentar, pensar, trabalhar e me sentir eu mesma." A doença de Parkinson afeta mais de 10 milhões de pessoas em todo o mundo, com 90 mil novos diagnósticos por ano somente nos Estados Unidos, segundo a Fundação Parkinson. Os sintomas comuns incluem rigidez, lentidão nos movimentos e problemas de equilíbrio, além de depressão, ansiedade e sentimentos de apatia. Não há cura, mas o tratamento pode ajudar a controlar os sintomas e restaurar a qualidade de vida. Em seu comunicado, Carly Simon descreveu a progressão "imprevisível" da doença, dizendo: "Alguns dias estou tão cansada que não consigo fazer nada. Em outros, me dá um pouco mais de espaço para me movimentar, pensar, trabalhar e me sentir eu mesma. Mas não parei de viver e não parei de trabalhar", disse. A cantora disse que seus problemas começaram com artrite em ambos os joelhos e em um dos quadris. No entanto, sua mobilidade não melhorou após três cirurgias de substituição articular: "Eu tinha dificuldade para me levantar de cadeiras baixas e sofás profundos sem que alguém me oferecesse o braço. Móveis estofados se tornaram meus inimigos. Uma vez sentada, eu sentia como se tivesse sido engolida pela cadeira e pudesse ficar ali para sempre, como uma convidada que se prolongou demais." Ela prosseguiu: "Por fim, houve períodos em que eu não conseguia andar sem muita ajuda. Minha família e eu sabíamos que havia algo mais acontecendo. Após uma avaliação minuciosa na Clínica Mayo, fui diagnosticada com Parkinson." Carly Simon tem recebido medicação e tratamento, mas afirma que a doença também traz consigo episódios de ansiedade, depressão e apatia. "A apatia é particularmente estranha", observou ela. "Você pode se pegar deitada como uma estrela-do-mar secando ao sol, com os braços apontando para todos os lados, enquanto nada dentro de você lhe diz para se levantar, ler, assistir, escrever, cantar, ligar para alguém ou fazer qualquer coisa." "Essa tem sido uma das coisas mais difíceis de explicar", confessou ela. "Não é simplesmente tristeza ou preguiça. É como se a parte do cérebro que envia convites para participar da vida tivesse temporariamente perdido a lista de convidados." A estrela da música acrescentou ter passado recentemente por uma cirurgia para remover um tumor cancerígeno no rosto que "afetava a aparência" e a "deixou mais insegura em relação a aparecer em público": "Sempre fui mais crítica com a minha aparência do que qualquer outra pessoa poderia imaginar (veja a ironia de ter escrito 'You're So Vain'), e isso deu à minha autocrítica bastante material novo." Novo disco Apesar de sua condição de saúde, a cantora anunciou o lançamento de um álbum de músicas inéditas, "Comes in waves", que será no próximo dia 14. As gravações, ela diz, deram "um lugar para ir sem precisar sair do quarto” e a lembraram de “que a doença pode mudar sua vida sem se tornar a sua vida inteira”: “A música me salvou mais vezes do que consigo contar.” O primeiro single do álbum, "Howl", foi lançado no mês passado. Nele, a cantora consola uma amiga que acabou de terminar um relacionamento. "Uive como o vento, ruga como o rio / Lamente como a chuva, chore, grite e trema", ela aconselha, com sua voz de contralto aveludada instantaneamente reconhecível. Um comunicado de imprensa afirmou que o álbum mostraria Simon revisitando temas familiares como "amor, memória, família, autoconhecimento e perdão, ao mesmo tempo que abriria espaço para contradição, ambiguidade e evolução emocional". A cantora encerrou sua declaração agradecendo aos seus médicos, familiares e amigos pelo apoio. “Hoje em dia, me movo mais devagar, leio mais sobre os outros do que antes e aprendi a aceitar que cada dia será um pouco diferente”, concluiu. “Mas continuo muito presente.”