Somente um terço (34%) das declarações feitas por políticos nos últimos cinco ciclos eleitorais —e que foram checadas— eram totalmente verdadeiras. As demais continham algum tipo de exagero, omissão ou falsidade. A constatação faz parte do relatório "Anatomia da Desinformação Eleitoral — Como a Mentira e os Boatos Políticos Evoluíram no Brasil entre 2016 e 2026", divulgado pela Agência Lupa nesta segunda-feira (27).

O dado reflete, segundo o estudo, uma sofisticação nas estratégias de desinformação em campanhas: em vez de recorrer à mentira explícita, cresce a manipulação de fatos e conteúdos verdadeiros, a chamada má informação.

"São cada vez mais frequentes omissões intencionais, exageros, recortes seletivos, comparações inadequadas e disputas de contexto", diz o relatório. "Em vez de inventar fatos, o discurso político passou a manipular informações verdadeiras ou a costurá-las de forma distorcida para produzir interpretações enganosas."

O fenômeno não se restringe a um espectro político, garantem os pesquisadores, que analisaram 3.080 declarações de 237 atores políticos de 37 diferentes partidos a partir de 2016. Há uma maioria de candidatos à Presidência, aos governos estaduais e prefeituras entre os analisados, e seus discursos foram coletados de redes sociais, debates televisivos, propagandas eleitorais, sites, entre outras fontes.