Por Anna Luiza Santiago 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Karin Roepke, Edson Celulari, Claudia Raia, Jarbas Homem de Mello, Luca, Sophia, Chiara e Enzo Celulari — Foto: Reprodução/Instagram Enzo Celulari vem se dedicando à produção de cinema e audiovisual há cerca de cinco anos. Um dos frutos dessa empreitada poderá ser visto no Festival de Cinema de Gramado, em agosto. "Shibal", do diretor João Rubio Rubinato, produzido pela IPA Filmes (a produtora de Celulari), estará na Mostra Competitiva de Curtas-Metragens do festival. — É a primeira vez que estou fazendo algo que não precisei divulgar enquanto fazia. O cinema vai um pouco contra esse ritmo em que o mundo anda hoje em dia, em que tudo é para ontem. Vivemos no tempo do descartável, da falta de atenção, da falta de retenção. Então é um lugar de privilégio estar fazendo algo e se permitir ter tempo, tão raro hoje em dia, para chegar ao resultado que se espera. Estar num festival como esse é a prova de que o que estamos fazendo tem dado certo. É uma credibilidade muito grande e uma validação para quem está começando uma estrada. É a validação daquilo que você se propôs a fazer, independentemente de quem você é. É a sua arte, puramente, sendo analisada por pessoas que entendem e trabalham com isso há muitos anos. É um reconhecimento muito importante. Foi uma escolha nossa, minha enquanto produtor e do João enquanto diretor, não aceitar nenhum tipo de espaço fora do Brasil num primeiro momento. É muito importante valorizarmos os nossos espaços, os espaços dados ao nosso cinema, aos nossos talentos. Contamos uma história que é brasileira, por mais que misture outros tipos de cultura. Não faria sentido não estrear esse filme no Brasil — afirma Celulari sobre o curta, que acompanha Tom, um gravurista falido que enfrenta vários contratempos ao tentar entregar uma placa para a inauguração de um restaurante coreano. A parceria de Celulari e Rubinato começou anos atrás, quando os dois trabalharam juntos em um projeto publicitário. Já naquela época, frisa, ambos compartilharam entre si a paixão pela sétima arte: — Assim que o roteiro ficou pronto e ele me trouxe essa história, fiquei encantado. Achei super-redondo. O que mais me impressionou é que se trata de uma história do tamanho certo para um curta-metragem, uma história escrita para isso. Vemos muitos curtas que tentam espremer uma história mais longa ou com mais camadas a serem contadas. Ou curtas em que tentam fracionar o recorte de uma história que daria um longa. "Shibal" tem o tamanho de um curta-metragem de 20 minutos, que é o que temos em mãos. É um filme que me trouxe um pouco essa essência da película. Eu amo cinema analógico. O time que juntamos para fazer o filme não trabalha só com isso, mas muitas das especialidades são com a película. Foi um privilégio poder rodar um curta-metragem em 16mm. Costumo dizer que sou um produtor extremamente criativo, ando muito de mão dada com o artístico. Não consigo enxergar o cinema como um produto apenas. Ele é um sonho, um grande quebra-cabeça com peças muitíssimo importantes para compor esse conjunto, a arte do coletivo. É fascinante entender a relevância de cada uma das escolhas feitas para chegar àquele resultado que é eternizado — diz. Filho de Claudia Raia e Edson Celulari, Enzo teve contato desde muito cedo com os bastidores do teatro, do cinema e da televisão. Ele conta que sempre achou normal estar nesse meio e afirma que esse primeiro contato com a arte pode ter sido um dos fatores que o levou a escolher trabalhar por trás das câmeras: — Brinco que mamei mais vezes em bastidores de cinema, televisão e teatro do que em casa. Os sets eram a minha casa, com certeza. Era também uma fase do auge dos meus pais, o ápice da carreira deles. Existia um revezamento: às vezes meu pai estava gravando e minha mãe tentava não gravar ao mesmo tempo, e vice-versa. Às vezes não era possível. Mas tudo era conduzido com tanto amor que sempre vi estar ali como parte da minha vida. Não era um aborrecimento ir para o trabalho dos meus pais. Assim como tínhamos nossos momentos em casa sozinhos, tínhamos o momento set, e eu tinha o momento da escola. Sempre foi algo muito natural. Eu ficava horas observando, tentando entender. O que eu não entendia, eles me respondiam. O contato com a arte desde cedo faz você ser uma pessoa um pouco mais sensível e aguçar um olhar um pouco diferente para a vida, para o ser humano, para os lugares. Pensar o todo, me encantar pelo todo, foi algo com que tive contato desde muito cedo, então acho que contribuiu para esse caminho que eu acabei escolhendo — conta. Celulari não descarta, no futuro, seguir o caminho da atuação, como fizeram seus pais. Ele conta que já recebeu convites e ressalta o respeito que tem pelo ofício dos atores, mas garante que, no momento, essa não é a sua prioridade: — É algo que já passou pela minha cabeça. Jamais banalizaria isso ou aceitaria um convite só por ser filho de quem eu sou. Pelo contrário: eu enxergo o valor desse ofício, sei o tamanho do esforço, do estudo que existe por trás de uma profissão como essa. Por mais talento que você tenha, por mais atrelado a essa vocação que você nasça, você tem que se preparar. São muitas pessoas tentando buscar uma oportunidade para ocupar um espaço mínimo que seja, então não é certo passar na frente dessas pessoas. Isso vale para quem convida mais do que para quem aceita o convite. Na vida, aprendemos a agarrar as oportunidades que nos são dadas, então eu entendo aceitar. Mas acho que existe uma responsabilidade muito grande no olhar de quem convida. Já recebi, sim, diversos convites e nunca me bateu num lugar de “esse é meu espaço”. Eu não digo nunca: pode vir a ser o meu espaço em algum momento, mas não é algo em que eu pense agora. Agora é momento de construir aquilo que eu escolhi. Uma coisa de cada vez: não dá para abrir muitas novas frentes ao mesmo tempo — afirma. O produtor fala do apoio incondicional que sempre recebeu dos pais: — Eles sempre me deram total liberdade para fazer o que eu bem entendesse, o que me brilhasse os olhos. Ao mesmo tempo, existia uma pressão externa um pouco grande, de pessoas querendo saber se eu seguiria a carreira dos meus pais. Não se pode ficar quieto hoje em dia. Ficar quieto tornou-se sinônimo de não estar fazendo nada, o que é um equívoco. Esse meu processo para me tornar produtor, inclusive, precisou desse interlúdio para acontecer. Essa pausa para a mudança, o ficar em silêncio, não falar durante um período, foi muito importante para entender a minha linguagem, descobrir o meu norte enquanto produtor de cinema. Meus pais sempre foram muito parceiros, grandes apoiadores e, claro, quando veio essa notícia de que eu estava trabalhando com isso, desmoronaram, se emocionaram e se encantaram. É muito bonito poder trocar diariamente com eles sobre isso. É muito bacana trocar essa figurinha com quem a gente mais ama — diz. Muitos filhos de artistas que escolhem seguir a mesma área que os pais acabam sendo chamados de “nepobabies”. Celulari conta como enxerga o termo: — O termo em si não me incomoda, mas criam associações que talvez não sejam as mais coerentes, somente negativas, e eu discordo. Nepobaby é ser filho de pessoas bem-sucedidas dentro daquele ofício que você também escolheu. Neste caso, eu optei pela mesma área, mas por outro ofício. O que eu faço não é a mesma coisa que meus pais fazem. Minha mãe também produz, ela é uma produtora muito mais de teatro musical e é muito bem-sucedida no que faz. Tento utilizar a parte boa disso, o que isso, e somente isso, pode me dar de ferramenta para contribuir para o meu trabalho. Isso abre portas, claro, mas tenho o desafio, mesmo com essas portas abertas, de ressignificar o olhar das pessoas diante de mim, em relação a mim. Tem uma parte muito boa que, se bem aproveitada de uma forma inteligente, pode ser maravilhosa, é um privilégio. Como tudo na vida, o termo tem conotação negativa e positiva, cabe a você definir que significado vai dar a essas coisas. Eu enxergo o melhor significado possível, como ferramenta e combustível para lapidar e melhorar ainda mais a qualidade daquilo que entrego como arte e como trabalho — avalia. Com 1,7 milhão de pessoas acompanhando-o nas redes e acostumado com a exposição à mídia desde criança, Celulari conta que recebeu dos pais o conselho de delimitar bem o que é público e o que é privado: — A exposição é algo com que eu lido desde muito cedo na minha vida. Um conselho muito importante que eles me deram foi: “saiba separar o que é seu e o que pode ser dividido com o outro”. É muito legal ter um espaço em que as pessoas te acompanham, acompanham seu trabalho, em que elas possam julgar e opinar sobre seu trabalho, mas existem coisas que são só suas. Nem tudo precisa ser dividido e exposto o tempo todo. Isso é muito saudável a longo prazo. Eu sou de uma geração que nasceu entre 92 e 98, que não é nem “gen z” nem “millennial”. Somos os “zillennials”. É uma microgeração, um grupo pequeno demais para ser uma geração própria, mas também diferente demais para caber nas duas outras. Um grupo que teve uma infância 100% analógica, mas uma adolescência digital, o que é muito legal, porque muito do que eu faço hoje e do que eu tento trazer para quem me segue é um pouco dos dois. Gosto de pensar o cinema analógico, mas também o digital. Vejo as pessoas reagindo ao que eu posto, e é um carinho na alma. A rede social é uma ferramenta tão potente que temos em mãos, para o mal e para o bem. Temos que ter muita responsabilidade ao usá-la — afirma. Mesmo sendo reservado, Celulari costuma postar alguns momentos de carinho em família, principalmente com os irmãos mais novos: Chiara, de 4 anos, fruto do casamento de Edson Celulari com Karin Roepke, e Luca, de 3, do casamento de Claudia Raia com Jarbas Homem de Mello: — Criança é uma alegria, é luz, respiro, poesia. Sempre fui apaixonado por criança, mas não tinha essa lembrança tão viva na memória de brincar e lidar diariamente com bebês da minha família. O último bebê com quem eu convivi tão de perto foi a Sophia, e nós temos cinco, quase seis anos de diferença. Eu brincava com ela quando eu tinha cinco, seis anos. Agora é muita diferença de idade, muita história já vivida, muita experiência a ser contada. Mas é muito legal porque eu, na fase em que estou, brinco que é uma verdadeira escola para quando eu tiver os meus filhos, só que com a responsabilidade limitada. Então, se começou a chorar, começou a dar muito problema, tenho para quem entregar. Quando é nosso, não. Quando está enjoadinho, quando está com soninho, você até está perto, observando o que precisa fazer, mas a responsabilidade não é inteiramente sua — diz. Celulari fala da experiência de ver os pais exercendo a paternidade e a maternidade novamente, em uma nova fase da vida: — É muito legal também ver os meus pais encarando de novo uma maternidade, uma paternidade depois de tanto tempo, com outros filhos já adultos, agora com novos parceiros. Novos parceiros esses que são pai e mãe de primeira viagem, enquanto é a terceira viagem dos meus pais. Então é muito legal a escuta para o outro, ceder em algumas coisas na educação e criação desses filhos, ouvir o outro, que não exatamente tem a mesma opinião que eles têm. Ou a mesma opinião que o pai e a mãe dos seus outros filhos têm. São muitas camadas. É muito interessante passar por isso estando no lugar em que eles já estão — conclui. Enzo Celulari adere à moda sustentável em ensaio de fotos exclusivo 1 de 6 Enzo Celulari — Foto: Eduardo Rezende 2 de 6 Enzo Celulari — Foto: Eduardo Rezende X de 6 Publicidade 6 fotos 3 de 6 Enzo Celulari — Foto: Eduardo Rezende 4 de 6 Enzo Celulari — Foto: Eduardo Rezende X de 6 Publicidade 5 de 6 Enzo Celulari — Foto: Eduardo Rezende 6 de 6 Enzo Celulari — Foto: Eduardo Rezende X de 6 Publicidade Empreendedor ambiental alerta sobre a importância da preservação do meio ambiente Karin Roepke, Edson Celulari, Claudia Raia, Jarbas Homem de Mello, Luca, Sophia, Chiara e Enzo Celulari — Foto: Reprodução/Instagram
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