O ministro das Relações Exteriores, chanceler Mauro Vieira, chamou as declarações do presidente da Argentina, Javier Milei, de "ríspidas, grosseiras e inaceitáveis" e afirmou que a declaração foi uma "interferência em assuntos domésticos". "As declarações do presidente da Argentina foram, como você mesma disse, muito graves e foram muito mal recebidas. Essas declarações foram críticas e de uma forma muito agressiva ao governo brasileiro, ao povo brasileiro, às instituições, ao Executivo, ao Legislativo e ao próprio Presidente da República. Foi uma interferência em assuntos domésticos, em assuntos nacionais". Em entrevista à TV Globo, Mauro Vieira descartou, neste momento, medidas diplomáticas mais duras, como a retirada da representação brasileira da Argentina. Segundo ele, o governo brasileiro pretende preservar os canais de diálogo e buscar esclarecimentos por vias diplomáticas. "A retirada de embaixadores é um passo de grande gravidade. Dentro desse contexto de preservação, nós não vamos fazer isso agora. Nós precisamos de explicações do governo argentino: por que que o presidente da Argentina veio ao território brasileiro fazer esse tipo de manifestação e de declarações ríspidas, grosseiras e inaceitáveis?", disse. "Todo o episódio é extremamente grave e inaceitável. Mas nós temos que trabalhar pelo entendimento entre as nações, e a diplomacia é feita disso, de conversas", completou. Chanceler Mauro Vieira — Foto: Mateus Oliveira/MRE ➡️Chamar um embaixador brasileiro que está em missão no exterior para consultas, como fez o Brasil, é uma medida considerada dura nas relações internacionais. É uma sinalização de que o país quer ouvir esclarecimentos de seu diplomata a respeito de uma atitude considerada hostil feita pela outra nação. 🔎Convocar o embaixador de outro país para uma conversa, por outro lado, é uma demonstração de insatisfação e de busca por explicações da outra nação. Discurso em evento do PL Milei também associou a candidatura de Flávio ao que chamou de uma transformação política em curso na América Latina e chamou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de "presidiário". Milei participa de lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro a presidente Segundo ele, países da região estariam abandonando governos de esquerda e adotando políticas liberais na economia, movimento ao qual o Brasil poderia se juntar. Na última semana, a defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro pediu autorização ao ministro Moraes, que é relator do caso, para o encontro com o argentino. Moraes negou a solicitação. No discurso durante o evento, Milei criticou a negativa. "A Justiça brasileira não me permitiu visitar meu amigo injustamente encarcerado, quando Lula se cansou de receber dirigentes estrangeiros enquanto esteve preso, entre eles o então presidente da Argentina, Alberto Fernández", continuou. "Isso não é nada além de mais uma clara demonstração da injustiça de sua detenção e do caráter vingativo de seus responsáveis", completou. STF reagiu à declaração "Tomei conhecimento da declaração do Presidente da Argentina sobre Ministro do Supremo Tribunal Federal. Trata-se de referência desrespeitosa a magistrado da mais alta Corte do País, feita em solo brasileiro, por ato jurisdicional praticado conforme a Constituição e as leis da República Federativa do Brasil", afirmou Fachin. Em nota, o ministro afirmou ainda que o tribunal "deplora manifestações incompatíveis com a civilidade que deve caracterizar as relações entre os Estados". "Ao reafirmar a plena autonomia do Judiciário brasileiro, a Presidência do STF deplora manifestações incompatíveis com a civilidade que deve caracterizar as relações entre os Estados", completou o ministro.
Mauro Vieira chama falas de Milei de 'inaceitáveis' e vê interferência em assuntos internos do Brasil | G1
Presidente da Argentina chamou Lula de "presidiário" e o ministro Alexandre de Moraes de "lixo careca" durante convenção do PL neste sábado (25). Em entrevista à TV Globo, ministro das Relações Exteriores descartou, neste momento, medidas diplomáticas mais duras.












