Polícia alemã informou que suspeito de 21 anos teria avançado contra agentes portando uma arma branca; autoridades classificaram o caso como um 'ato de terrorismo' 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Policiais examinam o carro usado em ataque que matou uma pessoa e feriu 16 durante a Parada do Orgulho LGBTQIA+ de Berlim, realizada em 25 de julho de 2026; suspeito fugiu — Foto: John MacDougall / AFP O principal suspeito pelo atropelamento em massa que matou uma pessoa e feriu ao menos outras 29 nas imediações da marcha do orgulho LGBTQIA+ de Berlim, no sábado, foi morto a tiros após avançar contra policiais na noite deste domingo (tarde em Brasília) com uma arma branca em punho. O caso foi apontado por autoridades como um ato de terrorismo, com o suspeito sendo apontado como vinculado a um grupo extremista islâmico. Um comunicado emitido pela polícia local informa que o suspeito — um cidadão alemão de 21 anos, com histórico familiar de imigração do Líbano — foi localizado na zona oeste da capital, no bairro de Spandau, em uma área composta por diversos espaços verdes e hortas comunitárias, por volta das 18h (13h em Brasília). O relato oficial informa ainda que o homem teria partido contra os policiais, o que levou os agentes a abrirem fogo e matá-lo. Equipes do corpo de bombeiros tentaram reanimá-lo, mas ele morreu no local. O incidente de violência chocou a comunidade alemã e europeia no sábado, quando era realizada a marcha do orgulho LGBTQIA+ de Berlim, uma das maiores do continente. Pouco antes das 22h (17h em Brasília) de sábado, um veículo descrito por autoridades como uma "pequena van ou SUV" atingiu várias pessoas na extremidade sul do Parque Tiergarten, no centro de Berlim — a poucos metros do final do trajeto da marcha e do palco principal do evento, no icônico Portão de Brandemburgo. O automóvel foi encontrado no local, após colidir com uma árvore. O suspeito se evadiu do local, mas a polícia disse que ele também teria utilizado um facão contra as vítimas. Autoridades classificaram o caso como um ato de terrorismo, indicando um possível elo entre o suspeito e uma rede extremista. — Presumivelmente, estamos diante de um atentado terrorista islâmico, dirigido contra o nosso modo de vida, nossa democracia liberal, nossa abertura e nossa liberdade — afirmou o prefeito de Berlim, Kai Wagner, durante uma coletiva de imprensa realizada na tarde de domingo perto do local do ataque. O ministro federal do Interior, Alexander Dobrindt, fez uma avaliação semelhante, afirmando que o ataque tinha, muito provavelmente, motivação terrorista. Segundo ele, o suspeito possuía um histórico de radicalização e antecedentes criminais, incluindo uma condenação por um crime que as autoridades não detalharam. O chanceler Friedrich Merz condenou o ataque, e também apontou marcas de um atentado terrorista. — Esses criminosos, esses extremistas, não têm lugar no meio da nossa sociedade — declarou o chanceler na tarde de domingo, antes de participar de uma cerimônia em homenagem às vítimas na Igreja de Santa Maria, no centro da capital. — E não permitiremos que esse veneno do terrorismo e esse veneno contra a nossa liberdade continuem se espalhando. As autoridades afirmaram que a investigação sobre o ataque continuará, mesmo após a morte do principal suspeito. Mais cedo, Merz e outras autoridades trataram sobre a possibilidade de que mais de uma pessoa tenha participado da ação. Agentes estão mobilizados desde o sábado, em buscas por toda Berlim, além de estações ferroviárias, aeroportos e postos de fronteira em todo o país. 'Poderia ter sido qualquer um de nós' Membros da comunidade LGBTQIA+ de Berlim anunciaram que uma vigília seria realizada neste domingo, às 19h (14 em Brasília), em frente ao Portão de Brandemburgo, para que as pessoas pudessem prestar suas homenagens às vítimas do ataque. Pela manhã, as ruas próximas ao local permaneciam bloqueadas por um forte aparato policial. Equipes de emergência montaram uma tenda nas proximidades, a fim de prestar assistência às testemunhas abaladas emocionalmente. Alfonso Pantisano, comissário para assuntos LGBTQIA+ do governo estadual de Berlim, afirmou em entrevista no domingo que estava entre o público quando os organizadores anunciaram a retirada logo após o ataque. Ele disse ter permanecido no local para ajudar outras pessoas a deixarem a área com segurança. Pantisano tem liderado iniciativas voltadas ao enfrentamento do aumento da violência contra a comunidade LGBTQIA+ de Berlim. Ele afirmou que o ataque "foi uma surpresa", embora todos pensassem que isso poderia acontecer em algum momento. — Poderia ter sido qualquer um de nós — disse ele, referindo-se às possíveis vítimas do agressor. — E é justamente isso que torna tudo tão assustador. Debate nacional O atentado reacendeu imediatamente o debate na Alemanha sobre migração, extremismo religioso e segurança pública, poucos meses antes das eleições regionais em Berlim e em outros dois estados do leste do país. Pesquisas de opinião já indicavam o fortalecimento de partidos de extrema-direita, em parte impulsionado pelas preocupações dos alemães com a violência. Nos últimos meses, enquanto Estados Unidos e Israel mantiveram operações militares contra o Irã, autoridades de inteligência alemãs advertiram reservadamente sobre o risco de ataques patrocinados por Teerã em território alemão. (Com AFP e NYT)