Déia Freitas mantém programa desde 2020 e conta causos enviados por leitores entrelaçados com histórias próprias 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Déia Freitas: comunidade fiel ao podcast desde 2020 — Foto: Maria Isabel Oliveira RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 24/07/2026 - 20:58 Déia Freitas Revoluciona Podcast com Jornada 4x3 e Projetos Sociais Déia Freitas, criadora do podcast "Não inviabilize", implantou uma jornada de trabalho 4x3 para sua equipe, que se mostrou eficiente e satisfatória. O podcast, com 13 milhões de plays mensais, narra histórias enviadas por ouvintes. Além disso, Déia planeja lançar conteúdo para crianças e já presenteou suas funcionárias com casas próprias. Ela também fundou a Construpônei, focada em habitação social. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Enquanto o Brasil discute o fim da jornada de trabalho 6x1, na produção do podcast “Não inviabilize”, comandado pela psicóloga Déia Freitas, de 51 anos, a conversa já está bem avançada. Por lá, o expediente é limitado de segunda a quinta-feira para todas as envolvidas no programa, que tem novos episódios semanais nos aplicativos de streaming. “No começo, eu sugeri fazer um experimento e tentar a jornada de 4x3. Se não funcionasse, voltaríamos ao 5x2, mas deu certo e foi ótimo para nós”, garante a paulista de Santo André. “Todo mundo sabe de suas demandas na equipe. Chega na quinta-feira, cada uma manda seu relatório e pronto. Eu não sou de controlar ninguém e, inclusive, odeio reuniões. Nosso fluxo dá certo e rende.” Formado por cinco mulheres, o time do “Não inviabilize” é responsável por acumular 13 milhões de “plays” mensais no programa focado em crônicas do cotidiano de temas variados. Os causos vão de relatos sobrenaturais a golpes, passando por narrações de infidelidade conjugal e ciladas. E, claro, algumas boas histórias de amor. Quem alimenta Déia e sua equipe são os próprios ouvintes, que enviam e-mails com seus dramas a serem contados sob anonimato pela apresentadora. No começo de julho, quando encontrou a equipe da ELA, Déia tinha mais de 15,7 mil e-mails não lidos com histórias inéditas. Deia Freitas: decisão de doar casa para funcionários — Foto: Maria Isabel Oliveira “Me envolvo com os relatos enquanto estamos preparando o roteiro. Rio e choro, mas após gravá-los... Acabou. Tanto que as pessoas comentam histórias comigo, e nunca sei direito de qual estão falando. Porque mudamos os nomes para dar sigilo às pessoas. Tenho, inclusive, medo de errar e falar o nome real. No começo já fiz isso”, confessa. “Evito até ouvir o programa depois de pronto, por uma questão de saúde mental.” O plano, agora, é apostar em histórias para um público o qual a paulista conquistou de maneira orgânica: as crianças. A primeira história, “Aniversário da Batata”, criada por Déia, já foi escrita e deve ir ao ar em breve. “Tem adulto falando que vai ouvir, mas já deixei bem claro que é para as crianças!”, avisa. A franqueza, diz quem é envolvido na área, é um dos trunfos de Déia. “Ela tem uma conexão e um diálogo constante e aberto com sua comunidade. E o conteúdo é muito original e brasileiro. É um podcast que existe desde 2020 e segue crescendo todos os meses”, diz Camila Justo, líder de podcasts no Spotify, onde o “Não inviabilize” foi o único programa brasileiro listado entre os 20 mais ouvidos da história da plataforma. Antes de chegar ao “Não inviabilize”, Déia trabalhou como redatora e em uma ONG do ABC Paulista. Quanto à formação em Psicologia, ao ser perguntada sobre qual linha de estudos seguia, não titubeia: “A linha pobre. Não cheguei a clinicar porque não tive a grana necessária”. Ela até concorda que a formação em Psicologia tem a ver com a habilidade de lidar com histórias cabeludas no programa, mas confessa que dá umas escorregadas ao comentar o comportamento de certas figuras. “Às vezes, passo do ponto principalmente com (relatos que envolvem) os homens. Mas isso está na descrição do programa: são as histórias de quem envia misturadas com as minhas.” Déia não foi a única que passou por outras profissões até encontrar o público fiel na “podosfera”. A equipe que ela montou para colocar o programa de pé também tem histórias parecidas. Camila Rocha, que cuida das redes sociais do projeto, trabalhou na área de hotelaria, foi fotógrafa freelancer e conheceu Déia porque trabalhava em um blog dedicado a esmaltes. A “host” do “Não inviabilize” era sua leitora e as duas logo estabeleceram uma amizade nas redes sociais. “Ela me procurou dizendo que tinha uma vaga para redes sociais. Eu achei que não era qualificada para o cargo, sugeri outra pessoa. Ela disse que queria que fosse eu, acreditou em mim. Sugeri fazer um teste por 30 dias. Com isso, já se passaram cinco anos”, conta. Déia aproveitou o sucesso do programa e a chegada da equipe para, em 2024, executar uma de suas propostas mais ousadas: anunciou que daria (sim, daria) casas próprias às suas funcionárias. A ideia surgiu após comprar um terreno em Santo André, onde sempre viveu. Na época, animada com a novidade, ela queria compartilhar a alegria que sentia, mas ficou sem jeito de celebrar a conquista com quem ainda não podia fazer o mesmo. “A primeira coisa que eu fiz quando entrou um dinheiro bom foi comprar um terreno. Acho que todo mundo tem que ter casa própria. Eu queria compartilhar essa felicidade com todo mundo que estava ao meu redor, mas todos pagavam aluguel. Então, guardei essa ideia e decidi que quando tivesse grana eu daria apartamentos às funcionárias”, conta. O plano se concretizou e ela conseguiu dar o presente, sem contrapartida. Em geral, após um ano de empresa, ela oferece o benefício de até R$ 230 mil para serem usados no imóvel. Com a conversa sobre obras e reformas instalada no podcast e com a própria casa em construção, Déia decidiu abrir uma nova empresa, focada na construção civil, a Construpônei. A ideia é capacitar pedreiros para trabalhar em projetos de habitação social. “Os pedreiros também trabalham na escala 4x3 e isso não interfere em nada no cronograma da obra”, garante.