Ele havia quebrado concreto, serrado vergalhões e seguido em frente apesar do calor, da poeira e da exaustão, perseverando enquanto homens muito maiores e mais fortes desabavam.
Agora, no 25º dia de sua busca, Winder Delfín, 17, finalmente havia encontrado o que procurava. No fundo do túnel que cavara com seu irmão Deivi, 15, seu pai e seu padrasto, Winder conseguia distinguir o vestido florido que pertencia à sua avó.
Ele esperava que sua mãe e seu irmãozinho estivessem logo adiante. "Há corpos por perto", disse ele, olhando para o pai da borda do túnel.
Deivi Delfín, 15, ilumina com um celular para que seu irmão, Winder, 17, continue cavando os escombros em busca da mãe, avó e do irmão mais novo deles, em Caraballeda, no estado venezuelano de La Guaira - Adriana Loureiro Fernandez - 17.jul.26/The New York Times
Um mês depois de dois terremotos históricos devastarem a Venezuela, o estado mais atingido do país, La Guaira, continua sendo cenário de buscas extenuantes e minuciosas pelos mortos. Do amanhecer até bem depois do anoitecer, milhares de sobreviventes se espalham pelos restos das residências que um dia ficavam a poucos quarteirões da praia, escalando as montanhas de escombros com picaretas e marretas, movidos por um desejo obsessivo de recuperar os corpos das pessoas que amavam.








