Medida abrange 174 empresas do grupo, entre controladoras, cozinhas centrais e lojas próprias, além dos administradores Alberto Saraiva e Belchior Saraiva Neto Segundo os autos, mais de R$ 300 milhões do endividamento do grupo correspondem a dívidas bancárias — Foto: Divulgação O Grupo Gennius Brasil, controlador das redes Habib’s, Ragazzo, Mita e Tendall Grill, obteve, na Justiça de São Paulo, uma tutela cautelar que suspende por 60 dias execuções e cobranças de credores enquanto negocia um passivo de R$ 312,4 milhões. A decisão, do juiz Jomar Juarez Amorim, da 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais, também impede a interrupção de serviços considerados essenciais à operação das empresas durante esse período. A medida abrange 174 empresas do grupo, entre controladoras, cozinhas centrais e lojas próprias, além dos administradores Alberto Saraiva e Belchior Saraiva Neto. O prazo de proteção judicial permite à companhia conduzir negociações com credores antes de uma eventual recuperação judicial. Em nota ao Valor, o Habib’s afirmou que a medida tem como objetivo negociar os passivos financeiros acumulados durante os últimos anos. A empresa acrescentou que todas as unidades seguem operando normalmente. Na decisão, o magistrado negou o pedido para liberação de recebíveis e investimentos cedidos fiduciariamente em garantia a instituições financeiras, mantendo as chamadas travas bancárias. Segundo os autos, mais de R$ 300 milhões do endividamento do grupo correspondem a dívidas bancárias. O processo informa ainda que, antes do pedido de tutela cautelar, o grupo iniciou um procedimento de mediação com credores no Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc) do Foro Regional de Santo Amaro, em São Paulo. Em petição apresentada posteriormente, a companhia informou que enfrentou dificuldades na manutenção de serviços essenciais. Segundo o documento, uma unidade teve o fornecimento de água interrompido e havia risco de suspensão de serviços prestados pela Oracle e de fornecimento de energia elétrica. A empresa alegou que essas interrupções poderiam comprometer a operação, o que levou a Justiça a determinar a manutenção dos serviços durante o período de proteção. Os documentos do processo mostram que a relação de credores sujeitos à mediação soma R$ 76,4 milhões. Entre eles estão fornecedores da indústria de alimentos, como Bamko Importação, De Marchi, Seara Alimentos, Duas Rodas Industrial, JBS/Friboi, Bunge Alimentos, Frutarom do Brasil, AB Brasil (Ab Mauri), Grano Alimentos, Moinho Romariz, Moinho São Luiz, Daus Indústria de Alimentos e frigoríficos regionais. A lista também inclui empresas de tecnologia, mídia e serviços, como Oracle do Brasil, Totvs, Google Brasil, Uber do Brasil, Netflix Entretenimento Brasil e Ambev. No pedido apresentado à Justiça, o Grupo Gennius atribui a deterioração de sua situação financeira aos efeitos da pandemia sobre a operação das lojas físicas, às mudanças no comportamento do consumidor com o avanço do delivery e ao aumento do custo de capital em um ambiente de juros elevados. Outro ponto do processo envolve a extensão da tutela cautelar aos administradores Alberto Saraiva e Belchior Saraiva Neto. Eles alegam que a atividade rural desenvolvida na Estância Santa Edina integra a estrutura operacional do grupo. Em manifestação nos autos, o Ministério Público de São Paulo solicitou a apresentação de elementos que comprovem a integração operacional, financeira e patrimonial dessas atividades com as empresas abrangidas pelo pedido.