Vista da área central de Hong Kong — Foto: Vernon Yuen/NurPhoto via AP O mercado de escritórios de Hong Kong começa a se recuperar após anos de fraqueza, impulsionado pela retomada das ofertas públicas iniciais de ações (IPOs) e pelo aumento da entrada de riqueza da China continental. A recuperação, porém, está concentrada nos edifícios mais prestigiados da cidade, enquanto outras regiões ainda enfrentam excesso de oferta. Segundo a consultoria imobiliária JLL, a taxa de vacância dos escritórios premium categoria A no distrito de Central, principal centro financeiro de Hong Kong, caiu para 8,8% no primeiro semestre de 2026, o menor nível em mais de três anos. Em toda a cidade, porém, a vacância dos escritórios categoria A permanece elevada, em 13,1%, refletindo o excesso de oferta após uma onda de novos empreendimentos. A diferença também aparece nos preços dos aluguéis. O segmento de escritórios de alto padrão em Central registrou alta de 7,3% nos valores de locação no primeiro semestre, o maior avanço em 15 anos, contra uma alta de 3,2% no mercado geral categoria A. Nos edifícios One IFC e Two IFC, tradicionais endereços de empresas financeiras globais, os aluguéis subiram mais de 20%. A JLL estima que os aluguéis dos escritórios categoria A em Central avancem entre 10% e 15% neste ano. A demanda tem sido impulsionada principalmente por empresas que estão abrindo novas operações ou buscando espaços melhores. Novas instalações responderam por quase um terço das transações de locação de escritórios categoria A no primeiro semestre, enquanto contratos relacionados a mudanças de endereço chegaram a 36,4% das operações no segundo trimestre, acima dos 25,5% registrados no trimestre anterior, segundo a consultoria BlackHills. A movimentação é percebida por empresas que buscam ampliar presença na cidade. Jason Yao, diretor-gerente sênior da gestora de private equity Ardian, disse ao "Nikkei Asia" que gostaria de ter alugado um escritório maior em Hong Kong. A empresa francesa abriu no ano passado uma unidade no Two IFC, um dos edifícios mais emblemáticos da cidade, com vista para o porto de Victoria, e pretende ampliar sua equipe local de 15 para 20 pessoas até o próximo ano. Mas encontrar espaço adicional no prédio tem sido difícil. “Estamos conversando com o proprietário e perguntando aos nossos vizinhos quem está saindo para que possamos expandir neste edifício”, afirmou Yao. Segundo o executivo, o espaço que a Ardian esperava ocupar “já não está mais disponível” depois que o fundo de hedge Qube Research and Technologies alugou seis andares do Two IFC em dezembro passado. O negócio foi uma das maiores operações de locação comercial de Hong Kong em mais de uma década, após a mudança do banco de investimento UBS para uma nova sede do outro lado do porto. Entre outros negócios recentes, o First Abu Dhabi Bank alugou espaço no Cheung Kong Center II, quase dobrando sua presença em Hong Kong. O banco do Oriente Médio Mashreq Bank também anunciou planos de transferir seu escritório para o distrito financeiro de Central, enquanto o fundo de hedge FengHe, de Cingapura, abrirá uma unidade no Two IFC. Apesar da recuperação, o movimento continua bastante concentrado nos imóveis mais disputados. A JLL informou que os aluguéis dos edifícios categoria A1 em Central acumulam alta de 13,4% neste ano, contra 5,6% nos imóveis categoria A2 e apenas 1,4% nos escritórios categoria A3. Fora do principal distrito financeiro, o cenário é mais fraco. Analistas esperam que áreas como Hong Kong East e Kowloon East continuem sob pressão, à medida que empresas migram para prédios de maior qualidade nos principais distritos comerciais. O excesso de oferta também pesa sobre proprietários e incorporadoras. Um consultor de reestruturação afirmou que empresas menores do setor imobiliário continuam enfrentando dificuldades para refinanciar empréstimos, enquanto os bancos reduzem sua exposição a imóveis comerciais e evitam ativos de menor qualidade. As tomadas de controle de imóveis comerciais por credores também aumentaram no primeiro semestre. Nesses casos, os bancos assumem a gestão dos ativos para recuperar dívidas, muitas vezes vendendo propriedades com grandes descontos, o que pode pressionar os valores de imóveis próximos. Para Kenny Yu, sócio-gerente da BlackHills, o mercado de escritórios de Hong Kong vive uma divisão em formato de “K”: enquanto os aluguéis sobem nos principais centros financeiros, regiões secundárias registram apenas uma recuperação gradual, com aumentos de 1% a 2%. Segundo Yu, essa diferença deve continuar sendo o “novo normal” do mercado de escritórios de Hong Kong no futuro próximo.
Hong Kong vê retomada de escritórios premium, mas mercado segue desigual
Hong Kong vê retomada de escritórios premium, mas mercado segue desigual









