"Quando você fala em regulação e taxação [de empresas de inteligência artificial], em cinco segundos aparecem cem funcionários dessas empresas para fazer lobby no Congresso", afirmou o diretor de Redação da Folha, Sérgio Dávila, nesta quinta-feira (23). "Tem que ser por aí", completou.
A afirmação foi feita numa mesa da CasaFolha, espaço do jornal na Flip, a Festa Literária Internacional de Paraty. O encontro, que teve também a participação da colunista da Folha Carol Tilkian e foi mediado pelo jornalista Uirá Machado, editor da CasaFolha, discorreu sobre os impactos da inteligência artificial no jornalismo e nos relacionamentos.
Dávila respondia a uma pergunta do público que relembrava as acusações de racismo contra agentes de inteligência artificial e questionava quem responsabilizar pelo viés do algoritmo. O jornalista havia contado uma anedota: perguntara a uma IA quais seleções não tinham jogadores negros na Copa do Mundo de futebol masculino de 2026. A primeira resposta, disse, foi estereotipada, citando países como a Suécia, a Suíça e o Japão. As três equipes, embora tenham populações negras minoritárias, têm jogadores negros defendendo o país.
"O problema é que essas empresas são como a República Popular da Coreia do Norte, não têm ombudsman, não têm ouvidor", disse Dávila, que elogiou o modelo europeu de regulamentação. "Eles disseram: ‘Olha, se vocês querem ser acima da lei, acima dos países, acima de tudo, a gente vai começar a taxar e regular, porque são as duas maneiras que eles respondem’."









