Divisas de mercados emergentes terminaram o dia entre as mais pressionadas, como foi o caso do rand sul-africano e dos pesos mexicano e chileno, além do real. Dólar à vista avança em linha com escalada em tensão no Oriente Médio — Foto: Shutterstock O dólar à vista exibiu valorização frente ao real nesta quinta-feira, refletindo o comportamento global de maior cautela dos agentes financeiros por causa da escalada da guerra no Oriente Médio. Os ataques dos houthis a petroleiros sauditas no Mar Vermelho elevaram as tensões na região, desencadeando a compra da moeda americana nos principais mercados cambiais. Neste ambiente, divisas de mercados emergentes terminaram o dia entre as mais pressionadas, como foi o caso do rand sul-africano e dos pesos mexicano e chileno, além do real. Encerradas as negociações, o dólar à vista fechou negociado em alta de 0,65%, cotado a R$ 5,0839, depois de ter encostado na mínima de R$ 5,0693 e batido na máxima de R$ 5,1003. Já o euro comercial exibiu apreciação de 0,37%, a R$ 5,7847. No exterior, perto das 17h10, o índice DXY, que mede a força do dólar contra uma cesta de seis moedas de mercados desenvolvidos, apreciava 0,30%, aos 101,426 pontos. Desde o começo das negociações desta quinta-feira, o dólar exibiu valorização frente ao real, refletindo a maior cautela dos agentes financeiros, após a escalada das tensões no Oriente Médio. Até ontem, como lembra a equipe de mercados e pesquisa do ING, a alta dos preços do petróleo não estava provocando a deterioração no sentimento de risco global necessária para que o dólar se beneficiasse plenamente do cenário de guerra. “Como resultado, os investidores do mercado de câmbio continuaram privilegiando moedas de países exportadores de commodities que oferecem rendimentos elevados. O real brasileiro, o rand sul-africano e o peso mexicano vinham figurando entre as moedas com melhor desempenho nesta semana, enquanto a coroa norueguesa liderou os ganhos entre as moedas do G10.” Hoje, essa dinâmica ganhou outro contorno. Apesar de o petróleo continuar em alta e superar a barreira de US$ 100 o barril, houve também uma deterioração no cenário de risco, o que ofuscou o benefício que a alta do petróleo oferece para o câmbio brasileiro. Para o operador de câmbio de uma grande corretora, o real tem funcionado como um porto seguro nesses momentos de estresse global em que o preço do petróleo exibe valorização. “E a volatilidade está baixa e temos juros altos, então o carry trade predomina. O que pode atrapalhar são as eleições, mas talvez nem isso.” Para o Wells Fargo, porém, a complacência dos investidores em relação às estratégias de carry trade em mercados emergentes pode alimentar uma desvalorização mais prolongada dessas moedas, especialmente o real, diante de uma chance de mudança na condução da política monetária dos Estados Unidos. “Ao analisarmos episódios recentes em que o real reagiu a fortes altas dos juros americanos semelhantes à atual, observamos resultados distintos. Durante o verão de 2023, o real chegou a se apreciar. Já em dois episódios diferentes de 2024, a moeda brasileira se depreciou, em média, 6,5%.” “Desde fevereiro deste ano, o desempenho do real tem sido semelhante ao observado no início de 2023, acumulando valorização de quase 8% no ano. No entanto, acreditamos que, daqui para frente, esse comportamento deverá se descolar daquele episódio, já que a alta dos juros americanos em 2023 representou uma reversão do forte movimento de queda provocado pela crise do Silicon Valley Bank (SVB)”, lembram Alvaro Vivanco e Francis Brown. “Já o movimento atual de alta dos juros nos EUA é impulsionado, em parte, por fatores relacionados à oferta, mas, em nossa visão, a resiliência dos juros reais e da atividade econômica americana representa uma vulnerabilidade clara para o real.” Além do já mencionado, os profissionais do banco americano lembram que, sazonalmente, agosto e setembro costumam ser meses particularmente desfavoráveis para o real. “Mantemos nossa projeção de R$ 5,42 por dólar para os próximos meses.”