PUBLICIDADE Segundo interlocutores, ex-primeira-dama sabia que gravação seria divulgada e deu aval ao gesto; depois de publicado, Michelle curtiu vídeo de Flávio no Instagram 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Michelle Bolsonaro e Flávio Bolsonaro em manifestação na Esplanada dos Ministérios — Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 23/07/2026 - 17:00 Flávio Bolsonaro pede desculpas a Michelle para apaziguar crise no PL O pedido público de desculpas de Flávio Bolsonaro à ex-primeira-dama Michelle é parte das condições para reaproximação, dizem aliados. O vídeo, que teve aval de Michelle, busca amenizar a crise no PL e proteger a campanha presidencial de Flávio. A ex-primeira-dama é vista como figura chave no bolsonarismo, especialmente entre evangélicos. A gravação tenta realçar a união em torno de Jair Bolsonaro. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O pedido público de desculpas feito pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro nesta quinta-feira fazia parte das condições impostas pela madrasta para iniciar uma reaproximação com o enteado, dizem aliados do senador. Ciente de que o vídeo seria divulgado, a ex-primeira-dama deu aval ao gesto como um primeiro passo para reduzir a crise que abalou o PL nos últimos dias. Depois da publicação, a ex-primeira-dama também curtiu o vídeo do enteado no Instagram. Nos bastidores, a campanha do senador avalia que o conflito havia deixado de ser um problema restrito à família Bolsonaro e passado a ameaçar a construção da candidatura presidencial de Flávio ao Palácio do Planalto. Desde que Michelle tornou público o desentendimento entre os dois, a campanha vinha tentando tratar o episódio como um problema pontual e minimizar seus impactos. Nos bastidores, porém, integrantes do núcleo político admitem que a avaliação era outra. A crise passou a ser vista como um dos principais passivos da pré-campanha, por consumir espaço na agenda, alimentar a narrativa de divisão no bolsonarismo e desviar o foco das propostas que Flávio tentava apresentar. Interlocutores do senador afirmam que, nos últimos dias, houve sucessivas tentativas de encontrar uma saída para reverter o desgaste e reconstruir a relação com Michelle. A percepção, no entanto, era de que o conflito havia adquirido uma dimensão política difícil de controlar e que manter o impasse apenas ampliaria os danos. Na avaliação de aliados, o custo político de prolongar a crise passou a ser maior do que o desgaste de um pedido público de desculpas. A decisão da ex-primeira-dama de deixar o comando do PL Mulher e abrir mão da candidatura ao Senado foi recebida com preocupação dentro da legenda, onde Michelle consolidou espaço próprio nos últimos anos. O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, passou os últimos dias tentando convencê-la a permanecer no projeto nacional e fazia elogios frequentes ao trabalho da ex-primeira-dama, ressaltando sua capacidade de mobilização e a importância que havia conquistado dentro do partido. Foi Valdemar, inclusive, que mediou o conflito desde o primeiro dia, agindo como “bombeiro” entre madrasta e enteado. A preocupação, contudo, não se limitava ao PL. Integrantes da campanha também passaram a enxergar riscos eleitorais em manter o conflito aberto. Michelle é considerada uma das principais lideranças do eleitorado evangélico no bolsonarismo e mantém influência sobre pastores, igrejas e movimentos religiosos que estiveram ao lado de Jair Bolsonaro nas últimas eleições. Foi nesse contexto que Flávio gravou o vídeo divulgado nesta quinta-feira, em que faz um aceno direto à ex-primeira-dama, reconhece que causou "desconforto", pede desculpas e afirma que nunca teve a intenção de desrespeitá-la. — O momento é difícil para todo mundo. Ninguém é perfeito, eu não sou perfeito, e mais uma vez peço desculpas por alguns momentos que causaram desconforto. Como somos pessoas públicas, isso acaba sendo explorado pelos nossos opositores. Nunca foi minha intenção desrespeitar ninguém, ainda mais a esposa do meu pai — afirmou. Bolsonaro como elemento de união Aliados também avaliam que o vídeo revela uma tentativa de recolocar Jair Bolsonaro no centro da narrativa da campanha. Em vez de concentrar o discurso apenas no pedido de desculpas, Flávio faz sucessivas referências ao pai para justificar a necessidade de pacificação. O senador destaca o trabalho de Michelle nos cuidados com o ex-presidente, lembra que os próprios filhos seguem impedidos de visitá-lo e afirma que ela "precisa ser reconhecida e respeitada". Em seguida, faz um apelo para que apoiadores abandonem os ataques internos. — Não vamos transformar essa situação em mais motivos de ataques que podem e serão explorados contra nós mesmos. Vamos evitar qualquer divisão. O momento exige união. Ao final, Flávio renova o convite para que Michelle participe da campanha e afirma que ambos compartilham o mesmo objetivo de defender o legado do ex-presidente. Nos bastidores, aliados do senador afirmam que o gesto também tem um objetivo prático. Com as restrições impostas a Jair Bolsonaro, que impedem Flávio de visitá-lo, Michelle passou a ser vista como a principal interlocutora entre pai e filho, já que acompanha o ex-presidente diariamente. Além disso, ela é tratada como um dos principais ativos políticos do bolsonarismo. Além da influência sobre o eleitorado feminino, Michelle é considerada peça central na interlocução com os evangélicos, segmento estratégico para a campanha presidencial e no qual mantém forte capacidade de mobilização. A expectativa no entorno de Flávio é que, após o vídeo, Michelle volte a fazer ao menos alguns acenos públicos ao enteado e ajude a reduzir a temperatura da crise. Mesmo assim, aliados admitem que continua baixa a possibilidade de que a ex-primeira-dama participe da convenção nacional do PL, marcada para este sábado, em São Paulo, quando Flávio será oficializado candidato à Presidência da República. Reservadamente, integrantes da campanha classificam o vídeo como a "última cartada" de Flávio para reconstruir a relação com Michelle. A avaliação é que o senador fez o gesto público mais amplo possível ao reconhecer erros, pedir desculpas e convidá-la para caminhar ao seu lado. A partir de agora, dizem aliados, uma eventual reaproximação dependerá dos próximos movimentos da ex-primeira-dama.