Escritório de advocacia do senador emitiu nota fiscal de R$ 500 mil à Contábil Correa 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) — Foto: Cristiano Mariz/O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 23/07/2026 - 16:40 Flávio Bolsonaro: Serviços advocatícios sem comprovação fiscal Flávio Bolsonaro, senador e pré-candidato à presidência, afirma ter prestado serviços advocatícios à Contábil Correa, mas não apresentou documentação comprobatória. Seu escritório emitiu nota fiscal de R$ 500 mil à empresa. Relatos indicam vínculos com a Copenhagen, envolvida em repasses milionários do Banco Master. Investigações sobre supostas irregularidades estão em curso no STF. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) afirmou que prestou serviços advocatícios a uma empresa de contabilidade ligada a uma consultora empresarial que recebeu R$ 57,9 milhões do Banco Master. Ele, no entanto, não deu detalhes sobre os trabalhos realizados, como os contratos assinados, reuniões com os clientes, pareceres e eventuais petições na Justiça. – Eu fiz um trabalho para uma empresa, fui contratado para isso, prestei serviços advocatícios. Tudo certo. Relação completamente legal e privada – disse ele, em vídeo publicado nesta quarta-feira em sua rede social. Procurado para dar exemplos sobre quais seriam esses “serviços advocatícios”, até o momento não houve resposta. O escritório de advocacia de Flávio emitiu uma nota fiscal de R$ 500 mil à Contábil Correa, em 9 de abril de 2025. O documento fala que o serviço prestado foi de “assessoria jurídica”. Dois dias antes, o escritório dele havia lançado duas notas fiscais, de R$ 500 mil cada, a uma consultoria empresarial chamada Copenhagen, que tem como diretor o mesmo sócio da Contábil Correa. Essas notas, no entanto, foram canceladas. Documentos da Receita Federal obtidos pela CPI do Crime Organizado mostram que o Banco Master repassou R$ 57,9 milhões à Copenhagen entre 2024 e 2025. Em relação às notas emitidas — e depois anuladas — à Copenhagen, Flávio explicou que não houve nenhuma prestação de serviço e, portanto, não recebeu nenhum dinheiro dessa empresa. Ele também disse que isso se trata de uma tentativa de “vincular falsamente” seu nome ao escândalo do Master. Segundo o seu site, a Contábil Correa presta serviços de assessoria empresarial aos seus clientes, como auxílio na gestão tributária e fiscal, abertura de CNPJ e regularização da situação de empregados e sócios. A empresa tem como único sócio o contador Rogério Lourenço Novo, que também aparece como diretor da Copenhagen. Ao Metrópoles, ele disse que contratou o escritório de Flávio Bolsonaro para prestar serviços aos seus clientes. Segundo documentos da Junta Comercial de São Paulo, a empresa tem um capital social de R$ 15 mil e fica localizada em um prédio em São Caetano, na Região Metropolitana de São Paulo — o mesmo endereço onde também está registrada a Copenhagen, que tem capital de apenas R$ 40. Procurado, ele também não quis dar explicações. A relação de Flávio com o Master ficou em evidência em maio, quando foram reveladas mensagens em que ele negociava com o banqueiro Daniel Vorcaro pagamentos para a realização do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. Planilhas obtidas pelo portal Intercept indicam que ao menos R$ 61 milhões foram pagos para a produtora responsável. Uma investigação sobre supostas irregularidades no financiamento está em curso no Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria do ministro André Mendonça. Flávio se formou em direito pela Universidade Candido Mendes, no Rio, e acumula a função de senador com a de advogado e empresário. Parte do trabalho dele se concentra no Superior Tribunal de Justiça, onde já assinou petições em pelo menos dez processos. Entre elas está um pedido de habeas corpus que pedia o trancamento de uma ação penal contra dois ex-sócios de Glaidson Acácio dos Santos, conhecido como “Faraó dos Bitcoins”. Em outro caso, ele defendeu quatro policiais militares acusados pelos homicídios de quatro homens em uma tocaia na favela do Vidigal, Zona Sul do Rio, ocorrida em 2020.