Indeferimento da quarta candidata apresentada pela Bimbo foi motivado por “insuficiência material” e lacunas técnicas na documentação entregue no último dia 17, segundo o órgão O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) rejeitou a quarta compradora apresentada pela Bimbo para a marca de pães Nutrella e confirmou a realização do leilão aberto do ativo, marcado para às 15h desta sexta-feira (24). Em despacho publicado nesta quinta-feira (23), a presidência do órgão manteve o certame sem preço mínimo. A decisão ocorre em um momento de retração de potenciais interessados. A M. Dias Branco informou ao Valor que não participará do leilão, reduzindo o universo de empresas com capacidade financeira para assumir o ativo. Procurada, a Bimbo informou que, neste momento, não vai se manifestar sobre o assunto. A Pandurata (Bauducco), que figura formalmente como terceira interessada nos autos, também optou por não comentar. O Cade, por sua vez, não se manifestou além dos documentos oficiais. O indeferimento da quarta candidata apresentada pela Bimbo — descrita nos autos como uma reconhecida fabricante de bolos e bolinhos industrializados — foi motivado por “insuficiência material” e lacunas técnicas na documentação entregue no último dia 17. Segundo o Despacho 103, o plano de negócios era “predominantemente descritivo e prospectivo”, sem metas mensuráveis que permitissem aferir a viabilidade da operação. O órgão antitruste apontou ainda a ausência de anexos considerados essenciais, como relatórios de vendas e organogramas, citados na petição da Bimbo, mas não efetivamente juntados aos autos. Além disso, avaliou que as minutas dos contratos de fabricação e distribuição eram apenas “pontos de partida” para negociações futuras, sem garantir a autonomia do comprador em relação à Bimbo. M. Dias Branco e Pandurata (Bauducco) figuram no processo tanto pelo interesse estratégico quanto por servirem de parâmetro técnico para o Cade. Ambas são citadas pelo órgão como exemplos de empresas que operam com logística centralizada. Segundo o despacho, companhias habituadas a produtos de longa validade enfrentariam dificuldades estruturais para administrar o “giro rápido” exigido pelos pães Nutrella, que têm validade de apenas 45 dias e demandam reposição frequente nos pontos de venda, além de logística reversa. Nesse contexto, Selmi (Renata e Galo) e a Doceria Campos do Jordão (Santa Edwiges Alimentos), identificadas em pareceres anteriores como algumas das poucas fabricantes de bolos com perfil nacional compatível com o buscado pela Bimbo, também foram procuradas para informar se eram a candidata rejeitada ou se pretendem participar do certame, mas não responderam até o fechamento desta nota. A manutenção do leilão é o desfecho de um cenário classificado pelo Cade como de “inadimplemento prolongado”. O desinvestimento da Nutrella é uma condição do acordo que permitiu à Bimbo adquirir a Wickbold em 2025. Com o atraso de quatro meses em relação ao prazo extraordinário concedido pelo órgão, foi acionada a cláusula que prevê a realização de leilão sem preço de reserva. O certame será realizado pela plataforma Mega Leilões em duas etapas. A primeira será restrita a empresas que já atuam no mercado de pães industrializados. Caso não haja vencedor, uma segunda fase permitirá a participação de empresas de outros segmentos de alimentos. O comprador selecionado ainda precisará ser aprovado pelo Cade antes da conclusão da operação. Cade mantém leilão da Nutrella — Foto: Divulgação
Cade rejeita nova compradora da Bimbo e confirma leilão da marca Nutrella
Indeferimento da quarta candidata apresentada pela Bimbo foi motivado por “insuficiência material” e lacunas técnicas na documentação entregue no último dia 17, segundo o órgão






