Investigação interna apura se integrante da equipe de proteção de JD Vance repassou à imprensa detalhes de viagens do número dois de Trump e reclamações de agentes 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Vice-presidente dos EUA, JD Vance, durante entrevista coletiva na Casa Branca, em Washington, em 18 de junho de 2026 — Foto: Allison Robbert/The New York Times RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 23/07/2026 - 09:08 Agente do Serviço Secreto dos EUA é Afastado por Vazamento de Informações Um agente do Serviço Secreto dos EUA, parte da equipe de segurança do vice-presidente JD Vance, foi afastado sob suspeita de vazar informações sobre viagens e queixas internas. A investigação interna apura a divulgação de detalhes operacionais e reclamações de sobrecarga na equipe de segurança. O caso ocorre em meio à intensificação do governo Trump contra vazamentos para a imprensa, destacando tensões com jornalistas. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Um agente do Serviço Secreto que integra a equipe de segurança do vice-presidente americano, JD Vance, está sendo alvo de uma investigação interna e foi colocado em licença administrativa após ser suspeito de vazar informações para uma reportagem que incluía detalhes sobre as viagens de Vance, disseram fontes familiarizadas com o caso à CNN. Segundo pessoas com conhecimento do assunto, autoridades identificaram uma pessoa que acreditam ter vazado informações sobre Vance. A investigação está sendo conduzida pela divisão de assuntos internos da agência, disse uma das fontes. Ainda não está claro se poderão ser aplicadas sanções administrativas ou apresentadas acusações criminais. O funcionário é suspeito de ter servido como fonte de uma reportagem recente do MS NOW sobre agentes da equipe de segurança de Vance que estariam descontentes com a suposta sobrecarga imposta à equipe e pelo cronograma de viagens pessoais do vice-presidente, frequentemente descritos como “inadequado” e “sem precedentes”. A reportagem do MS NOW descreveu viagens planejadas de Vance, incluindo um voo com seu filho em um helicóptero do Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos para uma aula de golfe — que posteriormente foi cancelado —, e diversas outras viagens do vice-presidente com a esposa, a segunda-dama Usha Vance, de helicóptero e de última hora para a região de Middleburg, na Virgínia, para procurar casas para comprar ou alugar para sua família. Equipe desgastada Embora não exista uma política formal do Serviço Secreto que proíba o uso de helicópteros do governo para transportar o filho de um vice-presidente a um compromisso local, antigos e atuais supervisores do órgão afirmaram que um pedido desse tipo não tinha precedentes. Vice-presidentes anteriores, disseram, evitavam utilizar benefícios governamentais tão caros para acomodar a agenda de seus filhos. Operar a aeronave custa aos contribuintes americanos entre US$ 16 mil (R$ 80 mil) e US$ 24,6 (R$ 124 mil) mil por hora de voo, segundo estimativas do orçamento do Departamento de Defesa de 2022. O Escritório Militar da Casa Branca, subordinado ao presidente Donald Trump, precisaria autorizar o uso do helicóptero para a aula de golfe. Funcionários ouvidos pelo jornal também citaram a falta de programação como um problema frequente. Vice-presidentes anteriores e outras autoridades protegidas pelo Serviço Secreto tradicionalmente informavam à agência sobre suas viagens com dias de antecedência. Viagens organizadas às pressas, conhecidas como deslocamentos “off the record” (OTR), obrigam agentes a cancelar folgas, abandonar outros compromissos e correr para o local onde são necessários. Também forçam a equipe a elaborar planos de segurança às pressas. — Eles (os Vance) mudaram tudo — disse uma das fontes ao MS NOW, acrescentando que a repetição desse padrão desgasta rapidamente as equipes de proteção. — Não seguem a própria agenda, e isso custa uma fortuna do dinheiro dos contribuintes. Em nota, o Gabinete do vice-presidente afirmou que os Vance são “gratos aos homens e mulheres do Serviço Secreto dos EUA”, que “servem ao país com distinção”: “Embora proteger um vice-presidente com uma ampla agenda de políticas públicas e uma família jovem e em crescimento represente um desafio singular, os agentes do Serviço Secreto desempenham essa missão com excelência todos os dias”. Reação do governo A reportagem, porém, chamou a atenção de autoridades do Serviço Secreto, do FBI e da Casa Branca, que ficaram indignadas com a divulgação, pela imprensa, de detalhes operacionais. O episódio ocorre em meio à promessa do governo Trump de intensificar o combate ao que considera divulgações não autorizadas de informações à imprensa. Neste mês, a administração intimou quatro jornalistas do New York Times após a publicação de reportagens sobre preocupações de segurança envolvendo o novo Air Force One, um Boeing 747-8 doado pelo Catar. As intimações, emitidas pelo Departamento de Justiça, obrigam os repórteres a comparecer diante de um grande júri federal em Manhattan e foram classificadas pelo jornal como uma tentativa de intimidar a imprensa e impedir que informações cheguem ao público. As medidas foram adotadas após a publicação de duas reportagens sobre o novo avião presidencial. A primeira disse que, após participar da cúpula da Otan, Trump deixou a Turquia utilizando um modelo mais antigo do Air Force One por recomendação do Serviço Secreto. A segunda revelou que a aeronave doada pelo Catar não possuía alguns dos recursos avançados de segurança presentes no avião anterior, incluindo sistemas antimísseis. Ambas citaram fontes que falaram sob anonimato. Neste ano, o Departamento de Justiça chegou a intimar jornalistas do Washington Post e do Wall Street Journal, mas retirou posteriormente os pedidos. Em janeiro, agentes do FBI também cumpriram mandado de busca na residência da repórter Hannah Natanson, do Washington Post, durante uma investigação sobre vazamento de informações envolvendo um prestador de serviços do Pentágono. Nos últimos meses, Trump também moveu ações judiciais contra veículos de imprensa, contestou reportagens sobre seu governo e ampliou disputas judiciais envolvendo o New York Times. Entre elas estão um processo movido pelo presidente contra o jornal por suposta difamação, ações do Times contra o Departamento de Defesa por restrições ao acesso de repórteres ao Pentágono e uma disputa com a Comissão para a Igualdade de Oportunidades no Emprego, que o jornal afirma representar uma retaliação à cobertura da Presidência de Trump. (Com New York Times)