As duas empresas desenvolverão conjuntamente um novo modelo A Geely Auto produzirá dois SUVs elétricos na fábrica da Ford na Espanha e as duas empresas desenvolverão conjuntamente um novo modelo, informaram nesta quinta-feira (23). Montadoras chinesas vêm acelerando o uso de fábricas subutilizadas na Europa, buscando se antecipar às regras de conteúdo local. Por meio de uma joint venture que será controlada em 66% pela Ford e em 33% pela empresa chinesa, os primeiros SUVs elétricos da marca Geely sairão da linha de produção da fábrica de Valência em 2028. A atual força de trabalho da Ford passará a ser empregada da nova joint venture, e a fábrica provavelmente precisará contratar mais funcionários à medida que a produção aumentar, afirmou o presidente da Ford para a Europa durante uma apresentação. A Geely não pretende trazer trabalhadores da China, acrescentou Victor Yang, vice-presidente sênior da empresa. “Temos capacidade para utilizar plenamente a fábrica”, disse Jim Baumbick, presidente da Ford para a Europa, à Reuters. “Esse é o objetivo”. As duas montadoras vinham negociando uma parceria havia muitos meses, conforme revelou a Reuters em fevereiro. Executivos disseram que a longa relação entre as empresas, iniciada quando a Geely comprou a Volvo Cars da Ford em 2010, ajudou nas negociações. Uma cooperação desse tipo com uma montadora como a Geely provavelmente não seria possível no mercado doméstico da Ford, onde um comitê do Senado dos Estados Unidos aprovou, na quarta-feira, um projeto de lei para endurecer a proibição da entrada de montadoras chinesas no país. “O setor automotivo está passando por uma transformação absoluta e profunda”, disse o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, em discurso na fábrica. “Alianças estratégicas são uma condição necessária para competir e liderar... A Espanha quer fazer parte desse grande salto”. Yang disse à Reuters que o primeiro SUV elétrico a ser produzido em Valencia será o EX5, que já é vendido na Europa, e que o outro veículo que a montadora chinesa fabricará na unidade ainda está em desenvolvimento. “Precisamos contar com parceiros fortes, com o conhecimento técnico e a experiência adequados para apoiar nossos esforços de localização”, afirmou Yang. Esta será a primeira unidade de produção da Geely Auto na Europa. O acordo ajuda ambas as empresas a enfrentar desafios significativos. As montadoras chinesas estão correndo para encontrar espaço disponível em fábricas no continente para produzir seus veículos antes da entrada em vigor de uma futura legislação da União Europeia que incluirá uma cláusula de “Feito na Europa”, exigindo um conteúdo mínimo de componentes produzidos localmente nos veículos elétricos. A Espanha é uma escolha popular entre as montadoras chinesas porque é o segundo maior país produtor de automóveis da Europa, atrás apenas da Alemanha, e possui custos de mão de obra e energia mais baixos. A BYD, maior fabricante mundial de veículos elétricos, já afirmou que o país está entre suas principais opções. A chinesa Leapmotor produzirá um SUV elétrico na fábrica da parceira Stellantis em Zaragoza, e a marca premium Hongqi vem negociando com a Stellantis a produção de veículos em uma de suas fábricas espanholas. No mês passado, a montadora estatal chinesa SAIC informou que instalará sua primeira fábrica europeia na região da Galícia, no noroeste da Espanha. Os sindicatos receberam o acordo com otimismo cauteloso, desde que sejam cumpridas as promessas de criação de empregos e de envolvimento de fornecedores locais, disse Juan José Picazo, secretário-geral do sindicato industrial CCOO. “Não podemos ser apenas uma fábrica de montagem”, afirmou Picazo. “Precisamos que a tecnologia permaneça aqui. É fundamental que a cadeia de fornecedores esteja estabelecida aqui e que isso gere empregos”. A necessidade das montadoras chinesas de obter rapidamente linhas de produção representa uma oportunidade para fabricantes tradicionais, como a Ford, que possuem ampla capacidade ociosa em suas plantas. Há apenas uma década, a Ford era a quarta maior montadora da Europa, com vendas superiores a 1 milhão de veículos, segundo dados do setor. No ano passado, a empresa vendeu pouco mais de 426 mil automóveis e caiu para a oitava posição. A empresa passou por diversas reestruturações na Europa e atualmente produz apenas o utilitário esportivo Kuga em Valência, fábrica com capacidade anual de cerca de 500 mil veículos. Segundo dados da GlobalData, a unidade operava com apenas 26% de sua capacidade em 2025. A segunda maior montadora dos Estados Unidos começará a produzir o utilitário esportivo Bronco em Valência em 2028, e Baumbick afirmou que a chegada da Geely permitirá “aproveitar (Valência) em escala para competir com o nível adequado de custos na Europa”. Ele acrescentou que não há “restrições rígidas” quanto à parcela da capacidade da fábrica que poderá ser utilizada pela Geely. “Do ponto de vista da Ford, isso é uma decisão pragmática”, afirmou Bill Russo, diretor-presidente da consultoria Automobility, sediada em Xangai. “Reduz a exposição aos custos fixos, mantém a fábrica em operação e monetiza efetivamente a capacidade excedente”. Em dezembro, a Ford informou que desenvolverá dois pequenos veículos elétricos em parceria com a Renault, utilizando a tecnologia da montadora francesa. Ford e Geely desenvolverão conjuntamente um utilitário esportivo crossover que será oferecido com diferentes sistemas de propulsão — totalmente elétrico, híbrido plug-in e elétrico de autonomia estendida —, com início da produção previsto para 2028. As montadoras chinesas lideram o mundo no desenvolvimento rápido de novos veículos elétricos com tecnologias avançadas e estão expandindo agressivamente para fora de seu mercado doméstico, o maior do mundo, onde as vendas caíram até agora neste ano. Executivos disseram que a longa relação entre as empresas, iniciada quando a Geely comprou a Volvo Cars da Ford em 2010, ajudou nas negociações — Foto: Bloomberg
Geely produzirá SUVs elétricos em fábrica da Ford na Espanha
As duas empresas desenvolverão conjuntamente um novo modelo










