Assim como a “PayPal Mafia” — o grupo de ex-funcionários do PayPal que fundou empresas como Tesla, LinkedIn e YouTube — deu forma ao Vale do Silício, a América Latina está vivendo seu próprio momento de transbordamento empreendedor. Unicórnios como Rappi, Mercado Libre, Nubank, Clip e Kavak estão se transformando em verdadeiras “universidades” para a nova geração de startups da região. No Brasil, esse movimento já produz frutos e promete acelerar o ecossistema de inovação como nunca antes. Mas o que explica esse fenômeno, e por que ele importa para o futuro dos negócios por aqui?

A ideia de que grandes empresas geram novas empresas não é nova. No início dos anos 2000, os ex-funcionários do PayPal se tornaram uma força empreendedora descomunal. Agora, a América Latina repete o feito. O fenômeno é tão evidente que já tem até nome: o “Efeito Rappi”. A startup colombiana, que começou como um app de entregas e se tornou um “super app” regional, é uma das principais fontes dessa nova onda empreendedora .

Segundo Juan Pablo Ortega, um dos diretores fundadores do Rappi e hoje fundador da Yuno (uma plataforma de integração de pagamentos), essa é uma evolução natural. “Rappi se tornou um berço de empreendedorismo, uma empresa que não desenvolve apenas modelos de negócios, mas também pessoas que fazem coisas que antes seriam impossíveis“, disse Ortega à Bloomberg. Ao lado de Julián Núñez, outro ex-executivo do Rappi, ele transformou a dor que conheciam bem — a otimização de pagamentos — em um negócio de sucesso que, em março de 2022, já havia levantado US$ 10 milhões em uma rodada seed.