Recuperação do comércio ganha destaque diante de alta de 7% e retomada do consumo estimulada pela inflação desacelerada No varejo, o desempenho do IODE-PMEs foi puxado por nichos específicos, com destaque para comércio de artigos de relojoaria, seguido de bebidas e material elétrico — Foto: HERMES DE PAULA/Agência O Globo O faturamento real das pequenas e médias empresas (PMEs) brasileiras apresentou um crescimento de 3,1% em junho de 2026, em comparação ao mesmo mês do ano anterior. Com esse resultado, o Índice Omie de Desempenho Econômico das PMEs (IODE-PMEs) — que monitora 756 atividades econômicas — consolidou uma alta de 3,2% no segundo trimestre do ano em comparação ao mesmo período de 2025. O comportamento do índice aponta mais resiliência desses negócios diante de um cenário macroeconômico ainda restritivo. O grande motor do desempenho em junho foi o setor de comércio, que saltou 7,0%. Diferentemente de períodos anteriores, a expansão foi disseminada: o atacado cresceu 5,8% e o varejo, 3,5%. No varejo, o desempenho foi puxado por nichos específicos, com destaque para o varejo de artigos de relojoaria, seguido do varejo de bebidas e do varejo de material elétrico. Felipe Beraldi, economista da Omie, diz que esse movimento reflete uma retomada comercial mais consistente entre as PMEs brasileiras. “O principal destaque desse mês no IODE-PMEs é justamente a recuperação do comércio. Isso porque, nos meses anteriores, com exceção de maio, a gente viu uma retomada gradual do comércio — bem gradual e muito concentrada no segmento atacadista. E esse dado de junho, em particular, observamos um crescimento das PMEs do comércio nos três grandes segmentos: atacado, varejo e veículos”, ressalta. Beraldi observa, no entanto, que o otimismo deve ser acompanhado de cautela. “É um dado bastante sólido, mas que temos que olhar com um pouco de cautela diante do cenário macroeconômico, sobretudo considerando as taxas de juros elevadas, que ainda desincentivam o consumo, e também o nível de endividamento das famílias, que acaba sendo uma amarra importante para o setor ter um desempenho mais forte”, pondera o economista. O cenário para o consumo foi favorecido pela desaceleração da inflação (IPCA), que registrou 0,16% em junho, trazendo alívio em itens como alimentos e combustíveis. Para Beraldi, essa é a novidade do mês, pois o alívio nos preços de bens essenciais melhora o orçamento disponível das famílias, especialmente em um contexto de crescimento da renda do trabalho. No setor de serviços, a alta foi de 2,1%, impulsionada pelos segmentos de atividades financeiras, alojamento e transporte aéreo. Beraldi destaca a relevância desse resultado para o ecossistema das pequenas e médias empresas. “Do ponto de vista de serviços, há um crescimento na maioria das atividades monitoradas, mais concentrado na parte de saúde, transporte e atividades financeiras. Esses são, aliás, os três segmentos com principal destaque. E essa é uma recuperação importante, se considerarmos o tamanho do setor de serviços na economia e em particular no mercado de PMEs", avalia. Contudo, o economista diz que áreas como alimentação e educação ainda registram desempenho negativo, na contramão do setor. “São segmentos bastante relevantes do ponto de vista de volume de empresas, mas que, em junho, registraram um desempenho negativo", afirma. Indústria tem comportável estável Já a indústria apresentou estabilidade (0,0%) em junho, após um período de forte contribuição para o índice. O freio foi puxado pela indústria extrativa, embora a atividade de transformação tenha mostrado fôlego em 16 dos 23 subsetores avaliados, como metalurgia e farmacêuticos. “Ainda é cedo para a gente assumir como tendência que a indústria perca o fôlego no comparativo anual do ponto de vista de crescimento do faturamento real, mas certamente há um dado que a gente precisa observar nos meses subsequentes, no decorrer do segundo semestre”, afirma Beraldi. Os principais destaques em termos de crescimento real ficaram concentrados nas atividades econômicas de impressão e reprodução de gravações, fabricação de produtos farmoquímicos e farmacêuticos e metalurgia. O setor de infraestrutura apresentou leve avanço (0,8%), beneficiado por resultados positivos da atividade econômica construção de edifícios, apesar da pressão exercida pela taxa Selic, atualmente em 14,25% ao ano. O desempenho das PMEs até o fim de 2026 dependerá do equilíbrio entre a melhora do poder de compra das famílias e a manutenção de juros elevados, que seguem limitando investimentos de longo prazo, aponta o economista da Omie. O IODE-PMEs, medição desenvolvida pela Omie, acompanha as atividades econômicas das pequenas e médias empresas brasileiras com faturamento de até R$ 50 milhões anuais. Para elaborar os índices, a Omie analisa dados agregados e anonimizados de movimentações financeiras de contas a receber de mais de 170 mil clientes, cobrindo 756 CNAEs (de 1.332 subclasses existentes), considerando filtros de representatividade estatística. Os dados são deflacionados com base nas aberturas do IGP-M (FGV) e usam o índice vigente no último mês de análise para verificar a evolução das movimentações financeiras em termos reais.
Faturamento de pequenas e médias empresas brasileiras registra alta de 3,1% em junho
Recuperação do comércio ganha destaque diante de alta de 7% e retomada do consumo estimulada pela inflação desacelerada








