0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 21/07/2026 - 20:41 Relação Brasil-EUA: Tarifas e Geopolítica Mineral na Era Trump O artigo aborda a complexa relação comercial entre Brasil e EUA sob a administração Trump, destacando o uso de tarifas como ferramenta política. Apesar de não ser uma ameaça econômica, o Brasil é fortemente afetado por tarifas americanas, com justificativas como concorrência desleal. A disputa parece ir além do comércio, envolvendo interesses em minerais críticos. O Brasil, com grandes reservas, pode se tornar peça-chave na geopolítica global. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Ficou bastante claro que Donald Trump utiliza as tarifas de importação sobre parceiros comerciais como remédio para tudo. Tornaram-se instrumento para lidar com interesses, que vão muito além de questões puramente comerciais e de proteção da economia local. O caso brasileiro é particularmente ilustrativo, pois, como se sabe, o País tem déficit comercial com os EUA e não chega, nem de longe, a ser ameaça para a sua economia. Apesar disso, o Brasil é o segundo país mais penalizado por tarifas, depois da China, quando se considera a tarifa média aplicada aos países. É difícil compreender a dose adicional de tarifa de 25%, já que do ponto de vista do comércio, a política de Trump machucou mais os EUA do que o Brasil. Por um lado, as exportações para aquele país caíram 13% no primeiro semestre deste ano ante o mesmo período de 2025, enquanto as exportações para o resto do mundo cresceram 15%. Por outro lado, as importações também recuaram 13%, ante aumento de 9% daquelas vindas do resto do mundo. Assim, houve um (pequeno) encolhimento do nosso déficit comercial com os EUA. A justificativa dada pelo governo americano para a nova rodada de tarifa foi a concorrência desleal, em várias frentes. Algumas são de negociação improvável, como é o caso do Pix, enquanto a questão do desmatamento não corresponde ao quadro atual de sua redução. Também foi dado destaque ao etanol, principalmente porque a cota de isenção tarifária expirou em 2020 e as alíquotas foram ajustadas após uma queda transitória em 2022. É praticamente impossível o avanço em negociações em ano de eleição, especialmente diante da politização do tema. De qualquer forma, o Brasil deveria reduzir a tributação extra de produtos (adicionais às tarifas do Mercosul) e buscar acordos de cooperação com vistas a promover um ambiente de negócios mais saudável e esforços para alinhamento às melhores práticas da OCDE. Faltam, porém, peças nesse tabuleiro. A julgar pela guerra comercial entre EUA e China, essencialmente associada à corrida digital, é provável que um ponto crítico da investida contra o Brasil seja outro, não explicitado: as terras raras e os metais críticos, insumos indispensáveis para a economia digital, a transição energética e, sobretudo, para a indústria de defesa. Os EUA estão vulneráveis não apenas na fabricação de chips, mas também no acesso às matérias-primas, sendo que a China domina grande parte da produção e, principalmente, do processamento de terras-raras, exercendo domínio sobre a formação dos preços mundiais. Estima-se que aquele país detém entre 85% e 90% da capacidade de refino e processamento. Assim, mesmo quando os minerais são extraídos em outros países, eles frequentemente precisam ser enviados à China para processamento antes de chegarem aos fabricantes. A competição tecnológica com a China tornou-se consenso em Washington, sendo uma agenda seguida também pelo governo Joe Biden. Essa interpretação é compatível com a estratégia americana dos últimos anos. O Inflation Reduction Act, o Chips Act, os acordos minerais firmados com aliados e as restrições impostas à China revelam uma política consistente de fortalecimento das cadeias consideradas críticas. O objetivo é reduzir vulnerabilidades estratégicas, o que envolve garantir acesso privilegiado aos insumos associados às novas tecnologias O Brasil, por sua vez, reúne uma das maiores reservas mundiais de minerais críticos e terras-raras, e em muitos casos em escala suficiente para se tornar um fornecedor relevante às cadeias globais. As investidas contra o País provavelmente refletem também uma agenda mais ampla, com destaque para a segurança nacional, e não exatamente uma política comercial convencional. Ao impor barreiras que destoam daquelas aplicadas a outros parceiros, os EUA possivelmente buscam ampliar o seu poder de barganha ao valorizar suas moedas de troca, para uma negociação mais ampla, no caso, o acesso a minerais considerados estratégicos e seu processamento. Essa agenda sobreviverá a Trump, ainda que com outros instrumentos e estilo de negociação diferente. E do lado do Brasil, será necessário a busca de um equilíbrio por conta das relações comerciais com a China, que vem ampliando investimentos no País. Os recursos minerais tornaram-se ativos geopolíticos. E o Brasil se tornou a bola da vez.