Cerca de 645 milhões de pessoas sofreram de fome em 2025, o que representa 7,8% da população mundial, uma ligeira melhora que pode ser afetada este ano pelas consequências da guerra no Oriente Médio e pelas mudanças climáticas, alertou a ONU nesta terça-feira (21).

A situação é especialmente crítica na África, onde 20% da população sofre de subnutrição, ou seja, carência crônica de calorias, segundo este relatório anual.

Após a crise econômica pós-Covid, que mergulhou milhões de pessoas na fome (688 milhões afetadas em 2022), a situação melhorou, mas ainda não retornou aos níveis pré-pandemia, de acordo com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

Em 2015, quando cerca de 600 milhões de pessoas sofriam de fome, a comunidade internacional estabeleceu, entre seus "Objetivos de Desenvolvimento Sustentável" para 2030, a meta de "eliminar a fome e garantir que todos tenham acesso a uma alimentação segura, nutritiva e suficiente".

Agora, a ONU prevê que entre 510 e 520 milhões de pessoas estarão desnutridas em 2030, mais da metade delas na África. "O epicentro da fome deslocou-se da Ásia para a África", explicou David Laborde, diretor da Divisão de Economia Agroalimentar da FAO, à agência AFP. "Há 25 anos, a China ainda tinha um problema de fome e o resolveu. A Índia também tem, mas faz grandes esforços para combatê-lo ativamente".