Joseph Aoun tornou-se o primeiro chefe de Estado libanês a visitar a Casa Branca em quase 20 anos O presidente dos EUA, Donald Trump, recebe o presidente libanês, Joseph Aoun, na Casa Branca, em Washington, DC, EUA, em 21 de julho de 2026 — Foto: REUTERS/Evelyn Hockstein O presidente do Líbano, Joseph Aoun, reuniu-se nesta terça-feira pela primeira vez com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Os dois líderes discutiram planos para desarmar o Hezbollah, grupo militante apoiado pelo Irã, e garantir a retirada das tropas israelenses do Líbano. Aoun, que comandou o Exército libanês, apoiado pelos EUA, antes de ser eleito presidente no ano passado, tornou-se o primeiro chefe de Estado libanês a visitar a Casa Branca em quase 20 anos ao se reunir com Trump. A visita, que durou cerca de duas horas, ocorreu enquanto tropas israelenses ocupam uma faixa do sul do país e centenas de milhares de libaneses continuam deslocados após ataques israelenses. O Hezbollah rejeitou tanto as negociações diretas do governo com Israel quanto os esforços do Estado para desarmá-lo. "É um lugar e um país que foram muito mal tratados, e vamos garantir que sejam tratados da forma adequada e com o respeito que merecem", disse Trump durante o encontro no Salão Oval da Casa Branca. "Há um problema com o Hezbollah." Em reunião realizada no domingo, em Washington, com o secretário de Estado americano, Marco Rubio, Aoun afirmou que Israel deveria iniciar a retirada de suas tropas do sul do Líbano em conformidade com o acordo de 26 de junho mediado por Washington entre Líbano e Israel. O acordo prevê o desarmamento do Hezbollah, uma retirada gradual das tropas israelenses e a criação das condições para relações pacíficas entre os dois países. Ainda não está claro, porém, como Aoun poderá convencer ou obrigar o Hezbollah, grupo xiita fundado pela Guarda Revolucionária do Irã (IRGC, na sigla em inglês) em 1982, a entregar suas armas. Antes a principal força política e militar do Líbano, o grupo perdeu influência após a ofensiva israelense de 2024 e a queda de seu aliado sírio, o ex-presidente Bashar al-Assad. Horas antes do encontro entre Aoun e Trump, tropas do Exército libanês começaram a assumir o controle de áreas desocupadas pelas forças israelenses no sul do Líbano, no primeiro teste prático do plano. Uma autoridade libanesa afirmou que Aoun acredita que apenas Trump tem influência suficiente para pressionar Israel a retirar suas tropas e ajudar o Líbano a restaurar sua soberania. Washington é o principal aliado de Israel e seu maior fornecedor de armas. Hezbollah se reergue no Líbano, mas futuro dependerá do acordo EUA-Irã — Foto: Mohamed Azakir/Reuters Segundo essa autoridade, além de pedir ao presidente americano que pressione Israel pela retirada, Aoun apresentaria a Trump uma proposta por escrito sobre como desativar o vasto arsenal do Hezbollah. "Esse será o seu legado", disse Aoun a Trump diante dos jornalistas, no início da reunião. "Juntos, conseguiremos alcançar esse objetivo. Já passou da hora de o Líbano e toda a região terem estabilidade e segurança." Trump afirmou que estaria disposto a conversar com os líderes do Hezbollah caso Aoun considere isso útil. O presidente americano também sugeriu que a Síria poderia desempenhar algum papel no desarmamento do Hezbollah. "Bem, é uma possibilidade", respondeu Trump a um jornalista. Como presidente, Aoun, um cristão maronita, concentrou sua atuação nas relações com Israel e no desarmamento do Hezbollah, que travou diversas guerras contra Israel e por muito tempo atuou como uma força militar independente do Estado libanês. A urgência desses esforços aumentou após o início de uma nova guerra neste ano, quando o Hezbollah atacou Israel em 2 de março em apoio ao Irã, que havia sido alvo de ataques dos Estados Unidos e de Israel em 28 de fevereiro. Israel respondeu com uma campanha aérea e terrestre que matou mais de 4.300 pessoas, segundo o Ministério da Saúde do Líbano. Aoun defendeu negociações diretas com Israel, uma mudança histórica para um Estado repetidamente invadido pelos israelenses desde 1978. A iniciativa levou aos contatos presenciais de mais alto nível entre os dois países em décadas. Aoun ainda criticou o Hezbollah por ter iniciado a guerra e afirmou que o Líbano estava sendo destruído em nome do Irã. Ainda assim, evitou atender ao pedido de Trump para que se reunisse com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.
Presidente do Líbano e Trump discutem desarmamento do Hezbollah
Joseph Aoun tornou-se o primeiro chefe de Estado libanês a visitar a Casa Branca em quase 20 anos











