Cenário externo afastou os juros das mínimas do dia, mas não foi suficiente para fazer as taxas locais subirem Juros futuros rondam estabilidade apesar de alta de taxas dos Treasuries e do petróleo — Foto: Joédson Alves/Agência Brasil Os juros futuros rondam a estabilidade nesta terça-feira (21), com viés de queda nos vencimentos intermediários, apesar da alta dos rendimentos dos Treasuries, referência para a renda fixa americana, e dos preços do petróleo no exterior. O cenário externo afastou os juros das mínimas do dia, mas não foi suficiente para fazer as taxas locais subirem. Por volta de 13h, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 passava de 13,92% no ajuste anterior para 13,930%; a do DI para janeiro de 2028 subia de 14,105% para 14,12%; a do contrato para janeiro de 2029 operavam estável a 14,390%; e a do DI para janeiro de 2031 subia de 14,565% para 14,580%. As incertezas geopolíticas provocam volatilidade na renda fixa americana e nos preços do petróleo no exterior. Os Estados Unidos e o Irã continuaram os ataques na região pelo décimo dia consecutivo de agressões, apesar dos relatos tentativas de um acordo de cessar-fogo temporário. O rendimento dos Treasuries de 2 anos subia de 4,215% para 4,264% e da T-note de 10 anos avançava de 4,597% para 4,63%, enquanto o preço do petróleo Brent para entrega em setembro avançava 2,45%, a US$ 91,55 por barril. No Brasil, porém, o movimento das taxas é mais contido em comparação ao observado no exterior. Para o gestor de renda fixa da Armor Capital, Igor Campos, o prêmio de risco embutido na curva já está bastante elevado e os juros se encontram em um dos piores níveis de precificação recente. “Em 2028, a curva embute um CDI a 14,80% e uma Selic a 14,90%, enquanto, hoje, a taxa básica está em 14,25% e a expectativa predominante é de um corte de 0,25 ponto percentual. Ou seja, o mercado ainda precifica cerca de 90 pontos-base de alta da Selic a partir de 2028”, afirma Campos. Nesse contexto, o gestor avalia que a curva já incorpora um cenário de petróleo em patamar elevado e de deterioração do ambiente fiscal. “Também não acho que a curva deveria simplesmente, por causa de uma deterioração de 2,5% de petróleo, abrir com mais intensidade. Acho que a curva já está em um nível bem premiado”, acrescenta. Mais cedo, o Tesouro emitiu R$ 19,35 bilhões de LFT e R$ 630 milhões de NTN-Bs em leilão integral, mas, na avaliação de um operador, a operação teve impacto praticamente nulo sobre a curva de juros, uma vez que o mercado já esperava uma oferta reduzida.