Atrriz que está no streaming em séries de comédia e ‘true crime’, lembra como demorou a virar protagonista, sem perder a autoconfiança: ‘Ela não pede desculpas por ser quem é’, diz Viola Davis 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Octavia Spender — Foto: Thea Traff/The New York Times RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você Após mais de duas décadas em papéis secundários, a vencedora do Oscar Octavia Spencer consolida sua carreira como protagonista e produtora, destacando a importância de dar visibilidade às mulheres na indústria. Atualmente, a atriz estrela a comédia de ação "Parceiras no crime", no Prime Video, e produz a série de true crime "Lost women", na HBO Max, projeto que reflete seu interesse de infância pelo gênero. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Em uma manhã de junho, a atriz Octavia Spencer, de 56 anos, estava em um restaurante de hotel no centro de Manhattan. Vestindo um blazer de tweed sobre uma blusa branca, irradiava um poder suave e sofisticado. Algumas pessoas se tornam atores porque querem que as notem. Spencer, segundo ela conta, nunca precisou se esforçar para isso. — Não sei se algum dia conseguiria ser invisível — diz ela, sexta de sete filhos, que sempre teve todos os olhares voltados para si. — Eu não precisava lutar por atenção; precisava lutar pelo que gosto de chamar de soberania. O que provavelmente explica por que tenho problemas com autoridade, com alguém no comando sobre mim. Ela venceu essa batalha, mas levou mais de 20 anos para se tornar protagonista de filmes e séries, além de uma produtora respeitada. Este ano, é coestrela e produtora executiva da comédia de ação “Parceiras no crime” — disponível no Prime — e narrou e produziu a segunda temporada de sua série de true crime, “Lost women”, na HBO Max. Ela sempre sentiu que merecia esse sucesso, mesmo nos anos em que trabalhou como assistente de elenco, ou quando era relegada a uma única cena, a uma única fala. — Gostaria de poder engarrafar isso e dar ao mundo, para dizer: “Você é importante. Ocupe o espaço que quiser” — disse ela. Antes de conhecê-la, tinha uma visão equivocada sobre Spencer, pelo menos em parte. Havia analisado seus papéis anteriores, especialmente a década e meia interpretando pequenas participações — frequentemente mulheres em profissões de assistência, como enfermeiras, professoras, garçonetes, assistentes sociais e trabalhadoras domésticas. — As pessoas que temos em nossas vidas e que facilitam o nosso dia a dia — foi como ela as descreveu. — Nunca a protagonista. Essas mulheres, de olhar doce e semblante gentil, eram subestimadas e, muitas vezes, ignoradas. Eu havia presumido, erroneamente, que isso a teria deixado marcada. Mas Spencer não é vítima de ninguém. Se a indústria do entretenimento levou muitos anos para reconhecer a amplitude e a diversidade de seus talentos, isso não diminuiu seu valor. Ela teve de trabalhar por 23 anos antes que Hollywood a escalasse como protagonista absoluta de um filme (o terror suburbano “Má”, de 2019) ou de uma série (o suspense policial “Truth be told”, da Apple TV, também de 2019). Mas encara isso como uma perda para Hollywood. — Se permitimos que as pessoas sejam vistas apenas de uma certa maneira, estamos vivendo uma vida muito limitada — disse ela. O estrelato nunca foi seu objetivo. Apesar de sempre gostar de atuar, não imaginava que poderia construir uma carreira nessa área. Na Universidade de Auburn, formou-se em Inglês, deixando Teatro e Jornalismo como disciplinas secundárias. Mas o interesse pelo mundo do entretenimento persistiu. Após a formatura, começou a trabalhar em sets, em cargos de assistente de nível inicial, muitas vezes no departamento de elenco. Chefes a incentivaram a fazer testes para papéis pequenos, mas ela sempre recusava. Enquanto trabalhava no suspense jurídico “Tempo de matar” (1996), sentiu-se finalmente pronta para correr o risco. Pediu um papel ao diretor, Joel Schumacher. Interpretou uma enfermeira — a primeira de muitas. Viola Davis a conheceu pouco tempo depois, no set de “City of Angels”, drama médico de Steven Bochco que teve vida curta. Mesmo naquela época — uma década antes de contracenarem como trabalhadoras domésticas em “Histórias cruzadas” (2011), pelo qual Spencer ganhou um Oscar —, a segurança e a autoconfiança de Spencer impressionaram Davis. — Ela não pede desculpas por ser quem é — elogiou Viola Davis. — Não há nada nela que tente se encaixar em algum padrão. Melissa McCarthy também a conheceu naquela fase inicial. Elas tinham um amigo em comum, Tate Taylor — que mais tarde dirigiria “Histórias cruzadas” —, e ele costumava convidar Spencer para acompanhar as apresentações de improviso de McCarthy. A risada de Spencer era contagiante — ela costumava ser a pessoa mais engraçada do ambiente, disse McCarthy, porque nunca forçava nada. McCarthy percebe uma naturalidade semelhante nas atuações de Spencer. — Você sente tudo o que ela pensa. Nunca é preciso dar à Octavia uma fala em um filme na qual ela explique como está se sentindo — definiu McCarthy. — Isso simplesmente transparece nela. Esse é o truque de mágica. Pessoalmente ou na tela, Spencer transmite confiança e até conforto, o que a torna a pessoa ideal para conduzir conteúdos potencialmente perturbadores. Foi principalmente por isso que Nichelle Tramble Spellman, criadora de “Truth be told”, a escalou para o papel principal. — Eu sabia que ela conseguiria interpretar as facetas sombrias da personagem sem jamais afastar o público — disse Spellman. Não falta um tom sombrio nas séries de true crime “O Mistério da Rota 20” e “Lost women of Alaska”, lançada em fevereiro. Ambas acompanham a trajetória de assassinos em série que tinham mulheres como alvo. Spencer é fascinada por histórias reais de crimes desde a infância. Ela leu “Helter Skelter”, um relato sobre os assassinatos cometidos pela Família Manson, aos 11 anos, e lembra-se de ter ficado aterrorizada. Por isso, quando foi convidada por Matt Robins, da October Films, para narrar a série “Lost women” — que adota uma abordagem centrada nas vítimas —, se interessou imediatamente. Ela encarou o trabalho com o objetivo de devolver um pouco de dignidade às vítimas. — Tratava-se de devolver a elas, na morte, um pouco de quem elas foram em vida — disse Spencer. Há tons mais leves em “Parceiras do crime”, uma comédia de ação sobre uma dupla de amigas. Spencer interpreta Debbie, a mulher americana de um parlamentar britânico, uma advogada que sacrificou a carreira pelas ambições políticas do marido. No primeiro episódio, Debbie descobre que seu casamento chegou ao fim e sua melhor amiga e companheira de clube do livro (e de travessuras), Judith (Hannah Waddingham), é uma assassina internacional. Logo, ela e Judith estão em rota de fuga, sem perder a elegância. Judith talvez tenha o papel mais vibrante, mas Debbie é o coração da série. Centro das atenções Spencer havia feito pouca comédia — e ainda menos ação —, mas achou a premissa deliciosa. Ela se sente mais próxima de Debbie do que de qualquer pessoa que já interpretou. Ambas se destacam em inteligência emocional e raciocínio lógico. Debbie não é uma mulher perdida, mas, como muitas das mulheres que Spencer passou sua carreira jogando, ela é inicialmente subvalorizada. Sua inteligência e charme são quase sempre ignorados. Mas, ao longo da série, ela se destaca e o mundo reconhece isso. Isso é o que Spencer deseja para si e para todas as mulheres. — Para uma mulher de certa idade, me sinto abençoada, me sinto vista — disse ela. — Foi difícil, mas quero tornar isso possível para todas as mulheres. Só quero que isso seja a norma.
O recado de Octavia Spencer: ‘Você é importante. ocupe o espaço que quiser’
Atrriz que está no streaming em séries de comédia e ‘true crime’, lembra como demorou a virar protagonista, sem perder a autoconfiança: ‘Ela não pede desculpas por ser quem é’, diz Viola Davis






