A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi — Foto: Kyodo O governo do Japão pretende criar um cargo de alto escalão para coordenar os esforços de promoção de tecnologias japonesas como padrões internacionais, em uma tentativa de ajudar empresas nacionais a crescer em setores como inteligência artificial e semicondutores. A administração da primeira-ministra Sanae Takaichi elaborou uma estratégia de crescimento que prevê mais de 370 trilhões de ienes (US$ 2,3 trilhões) em investimentos públicos e privados distribuídos por 17 setores. O Japão está atrás de outras grandes economias em áreas como IA e chips. Os Estados Unidos lideram as discussões sobre especificações técnicas e avaliações de segurança por meio de suas grandes empresas de tecnologia, enquanto a China avança na padronização como parte de uma estratégia nacional. A Europa, por sua vez, fortaleceu sua posição com regulamentações históricas relacionadas à inteligência artificial. Para entrar em mercados internacionais, porém, não basta investir capital. A definição de padrões influencia a competitividade tecnológica, o acesso a mercados e as cadeias de suprimentos. Quando a tecnologia ou as especificações de um país se tornam referência internacional, suas empresas ganham vantagem na expansão global. “Os setores público e privado precisam trabalhar juntos e responder de forma estratégica em um esforço de todo o Japão”, afirmou Kei Sato, vice-secretário-chefe do gabinete e um dos defensores da iniciativa. Tóquio quer avançar simultaneamente em investimentos e padronização. O Gabinete do Japão pretende incluir a proposta em seus pedidos de estrutura organizacional e pessoal para o ano fiscal de 2027, com o objetivo de criar o novo cargo naquele ano. A autoridade, em nível equivalente ao de diretor-geral de um bureau, supervisionaria políticas de diferentes ministérios e coordenaria iniciativas dos setores público e privado, orientando estratégias de padronização em áreas prioritárias. A ideia é apoiar de forma integrada todo o processo, desde o desenvolvimento tecnológico até a expansão no exterior. As áreas prioritárias incluirão inteligência artificial, computação quântica, meio ambiente e energia, prevenção de desastres, mobilidade, alimentos e agricultura, bioeconomia e tecnologia da informação e comunicação. As políticas de padronização do Japão hoje são conduzidas por ministérios distintos, com competências fragmentadas, o que deixa o país sem uma abordagem unificada para apoiar empresas e instituições de pesquisa. O novo cargo permitiria consolidar informações dos setores público e privado, ajudando o Japão a apresentar propostas e negociar de maneira mais estratégica em conferências internacionais. A disputa por padrões internacionais tornou-se parte da agenda de segurança econômica e política industrial. A União Europeia vem desenvolvendo normas comuns para gestão de riscos, qualidade de dados, avaliações de segurança e outros temas à medida que implementa sua Lei de IA (AI Act). A estratégia europeia combina desenvolvimento tecnológico com regulamentação e padronização, buscando transformar suas regras em referência global. Em janeiro, o Japão lançou um fórum público-privado de alto nível que reúne representantes da Federação Empresarial do Japão (Keidanren), da Associação Japonesa de Normas, de universidades e de órgãos governamentais. O fórum tem como objetivo coletar e analisar informações de organizações com operações no exterior e liderar a formulação de regras internacionais por meio de uma estratégia nacional coordenada. O Japão já obteve alguns êxitos nessa área. Em 2014, uma proposta japonesa serviu de base para um padrão internacional sobre a segurança de robôs utilizados em cuidados de enfermagem e apoio à vida diária. A norma estabeleceu requisitos de segurança para robôs que interagem diretamente com pessoas. A experiência japonesa também influenciou regras internacionais relacionadas a tecnologias de eficiência energética e direção autônoma.