Momento de brutalidade foi gravado por vizinhos em Bolonha e compartilhado nas redes sociais 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O marroquino Abderrahim Fakir morreu enquanto era imobilizado por policiais na Itália — Foto: Reprodução / Redes Sociais RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 20/07/2026 - 19:31 Protestos e Indignação na Itália após Morte de Marroquino em Ação Policial A morte de Abderrahim Fakir, um marroquino de 42 anos, enquanto era imobilizado por policiais em Bolonha, Itália, gerou indignação e protestos. Gravado por vizinhos, o vídeo mostra Fakir gritando por socorro antes de ficar imóvel. O caso lembra o de George Floyd e suscitou debates políticos. A promotoria ordenou uma autópsia e investigação, enquanto a população exige justiça e clareza. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A morte de um marroquino que estava sendo algemado pela polícia em Bolonha, na Itália, gerou revolta e levou a protestos no país nesta segunda-feira (20). O homem, identificado como Abderrahim Fakir, de 42 anos, aparece em imagens gravadas por testemunhas deitado de bruços no chão enquanto é imobilizado por agentes por cerca de cinco minutos. Nesse tempo é possível ouvi-lo gritar por socorro e seus pedidos para que parem de o segurar. O caso aconteceu às 12h do último domingo (19), em frente a um estacionamento em Pilastro, um bairro operário e multiétnico da cidade de Bolonha. A polícia foi chamada porque Abderrahim estaria agindo de forma inconstante e imprevisível. Até o momento não se sabe os motivos que o levaram a agir desta maneira em público. Segundo relatos, ele começou a gritar e entrou num estado de extrema agitação, inclusive batendo em um carro. Dois policiais foram os primeiros a chegarem ao local e solicitaram uma ambulância. Em seguida, começaram a lutar para contê-lo. Um dos agentes usou spray de pimenta para imobilizá-lo. O policial usava uma câmera corporal no uniforme, e o equipamento teve a gravação recolhida para análise nas investigações do caso. Em seguida, eles o imobilizaram jogando-o no chão, colocando suas mãos para trás e subindo em cima de Abderrahim para algemá-lo. Em imagens gravadas por vizinhos que testemunharam o caso, o detido pode ser visto gritando repetidamente por socorro enquanto os policiais pressionavam seu corpo, a ponto de encostarem seu rosto no asfalto. O vídeo também mostra um civil e paramédicos, vestidos de vermelho, presentes no local, mas sem intervir. Pouco depois o homem fica imóvel. Os policiais seguem na ação, sem o soltar e, ao contrário, ainda algemam os pés de Abderrahim. Só depois, um dos agentes, percebendo a inércia do homem, tenta interagir, movendo seu rosto, sem obter resposta. Algumas pessoas que presenciaram o momento questionam se ele está respirando. Os policiais se levantam, e só então viram o corpo algemado. Abderrahim se mantém imóvel. Um médico intervém, faz a verificação de pulso e constata a morte. O marroquino vivia legalmente na Itália desde a infância. Abderrahim sofria de crises de asma e era dono de uma pequena empresa de transportes, segundo a imprensa local. O caso de truculência causou indignação imediata na cidade de Bolonha e comoção em toda a Itália. Para além das distâncias e diferenças, o episódio recordou o caso de George Floyd, ocorrido em maio de 2020 em Minnesota, nos Estados Unidos, que deu origem ao movimento de protesto "Black Lives Matter". — Eu quero justiça, eu quero vingança, ele não pode morrer assim — disse, chorando, Khadija Fakira, irmã de Abderrahim. — Se alguém está agitado, você tem que acalmá-lo, não o matar em plena luz do dia. Eles o mataram — declarou. Amigos o descreveram como uma pessoa “de bom coração” e trabalhadora, que havia chegado à Itália com sua família aos sete anos de idade e ainda estava em processo de obtenção da cidadania italiana. A Procuradoria de Bolonha determinou que seja realizada uma autópsia para comprovar a causa da morte e abriu uma investigação sobre as circunstâncias do caso, um procedimento padrão no país sempre que alguém morre durante uma operação policial, destacou a CBS News. Os dois policiais envolvidos continuarão trabalhando durante a investigação, destacou o veículo. Nesta segunda-feira, pessoas se reuniram próximo ao local onde Abderrahim morreu enquanto era imobilizado pelos policiais que tentavam prendê-lo. O caso colocou figuras políticas da Itália de lados opostos. Annalisa Corrado, do Partido Democrático, da oposição, disse em um comunicado: "Não podemos ficar em silêncio diante de uma morte desta magnitude, que ocorreu enquanto um homem em situação de vulnerabilidade estava sob custódia da polícia. Exigimos total clareza sobre o assunto: que as investigações em curso determinem o que realmente aconteceu, que todas as responsabilidades sejam apuradas e que se invista seriamente no treinamento da polícia para lidar com manobras de contenção". Matteo Salvini, vice-primeiro-ministro e líder do partido de direita Liga (Lega), saiu em defesa da polícia: "Conto com o judiciário para esclarecer a situação o mais rápido possível, para evitar difamações por parte de pessoas que não entendem o que aconteceu e não têm respeito por aqueles que arriscam suas vidas para proteger as nossas".